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Último adeus a Pedro Daniel Ferreira. O bombeiro que morreu a combater o fogo de Oliveira de Frades

por Redação

09 de setembro de 2020, 20:21

Foto Igor Ferreira

Ruas de Oliveira de Frades encheram-se para a despedida ao “filho da terra” que morreu a proteger o povo

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Centenas de pessoas despediram-se esta quarta-feira (9 de setembro) de Pedro Daniel Ferreira, o bombeiro que morreu na segunda-feira, no combate ao fogo em Oliveira de Frades.

Uma despedida marcada pela emoção da família, amigos e companheiros dos Voluntários de Oliveira de Frades.

As exéquias começaram no Quartel dos Bombeiros Voluntários locais com o abrir dos portões, onde estava o corpo em câmara ardente. 

Uma cerimónia onde esteve presente Marcelo Rebelo de Sousa, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, o presidente da Liga dos Bombeiros, Jaime Marta Soares e, ainda, o mais alto representante da Igreja Católica no distrito, o Bispo de Viseu, D. António Luciano. 

A abrir os discursos, o apelo emocionado do comandante dos voluntários de Oliveira de Frades. 

“Oliveirenses, lafonenses, portugueses, pensem antes de fazer fogo. Pensem no Pedro como um herói. Meus colegas, companheiros, camaradas, bombeiros, cabeça levantada. É preciso ter força para ser firme. Mas é preciso coragem para ser gentil. É preciso ter força para se defender, mas é preciso coragem para baixar a guarda”, enalteceu Fernando Farreca.

E antes do corpo partir para o cemitério, ainda houve tempo para a leitura de um poema de uma prima do bombeiro falecido.

“Hoje, neste lugar, onde as horas, a dor, o amor, a coragem e a força se vestem de espinhos vão ouvir a voz de um homem, de um bombeiro a gritar ‘Caminhante, não caminho’. Faz-se o caminho a andar. De golpe em golpe, de risco em risco, de auxílio em auxílio, de combate em combate, de ajuda em ajuda. ‘Mas, caminhante, não há caminho’. Faz-se o caminho ao andar. Morreu um bombeiro. Longe do lar. Comandante, reúna os seus homens, reúna as tropas e toca a andar”, leu Maria João.

A sirene tocou. O cortejo fúnebre seguiu. E ouviram-se palmas. De muitos civis, mas também de muitos bombeiros de várias corporações do distrito que marcaram presença. 

A homilia, já no cemitério, foi presidida pelo bispo de Viseu que, no seu discurso, engrandeceu o trabalho dos bombeiros, “que dão a vida pelo povo”.

Pedro Daniel Ferreira faleceu na última segunda-feira aos 38 anos, enquanto combatia o incêndio que alastrou ao distrito de Aveiro e que ainda se encontra em fase de resolução. Deixou um filho menor.

Pedro Ferreira “morreu sem apresentar nenhuma queimadura no corpo”, tendo agido “dentro daquilo que eram as suas normas e experiência, correndo para uma zona já queimada à espera de salvaguardar a sua integridade física, mas o fumo estava muito baixo e não permitiu isso”, explicou o comandante nacional da proteção civil, Duarte da Costa.

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