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Fotografia artística ajuda adotar animais. João Azevedo explica o que é o Be My Friend

por Redação

18 de outubro de 2020, 08:00

Foto Arquivo Jornal do Centro

CLIPS ÁUDIO

É na frente da objetiva de João Azevedo, criador do projeto Be My Friend, o lugar onde os patudos demonstram toda a sua personalidade à espera de uma adoção. Acreditamos que a tarefa não seja fácil, mas com a paciência do fotógrafo vem a conquista desafiante de conseguir aquela melhor fotografia: um retrato de pura genuinidade que pretende sensibilizar até os mais despreocupados. A principal mensagem é um cliché, mas sempre importante de relembrar - Não compre, adote!

O projeto fotográfico foi criado no intuito de ajudar Associações e Canis na adoção dos patudos e visa conseguir um lar para todos os cães fotografados, tentando captar nos retratos a essência dos animais. A iniciativa usa o poder da internet, principalmente das redes sociais, para ajudar nas adoções, fazendo uma ligação entre os adotantes e as instituições nacionais. Conta ainda com um website próprio com informações úteis que ajudam na relação entre humanos e animais de companhia.

O Jornal do Centro esteve a conversa com o fotógrafo João Azevedo, que ajuda a propagar a iniciativa através da sua arte e que já impulsionou a sorte de encontrar uma família para cerca de 500 patudos por todo país.

 


Como surgiu a iniciativa e qual o(s) seu(s) objetivos?


A primeira sessão fotográfica com patudos para adoção foi em 2015 no Refúgio do Ruff. Já costumava fotografar animais em estúdio, gostava muito do resultado e achei que podia fazê-lo numa Associação para ajudar nas adoções. O impacto foi muito bom, com centenas de partilhas e algumas adoções. Tentei na altura fazer o mesmo noutros sítios, mas não se proporcionou.
Em 2019, voltei a esta ideia e é então que surge o projeto Be My Friend. Um projeto fotográfico que pretende dar visibilidade aos animais das Associações e Canis.


Qual o papel da arte, mais concretamente da fotografia, na ajuda da adoção animal?


Neste caso concreto é dar visibilidade a animais que de outra forma não a teriam. Essa visibilidade permite acontecerem adoções onde as pessoas fazem centenas de km para ir buscar o animal.


A fotografia apela aos mais diversos estímulos visuais, de que forma isso pode levar uma pessoa a adotar?


Com estas fotografias pretende-se criar mais empatia entre os animais e quem vê as fotos, potenciando desta forma as adoções. A ideia de fotografar mais próximo do focinho é para captar melhor as expressões e a essência do animal.


Como é todo o processo de sessão fotográfica? É feito apenas pelo fotógrafo ou existe uma equipa que acompanha o mesmo até os diversos canis?


Para algumas sessões fotográficas vou sozinho, noutras levo alguém para ajudar nas poses dos animais. Mas, seja em Associações ou em Canis, conto sempre com a ajuda incansável dos voluntários/funcionários.


Quais as maiores dificuldades do projeto? É fácil controlar os cachorros e conseguir um bom retrato sem muitas repetições?


A maior dificuldade é mesmo essa, de conseguir que os patudos estejam sossegados para a fotografia. Requer muita paciência e alguns truques.

O projeto apoia a causa da adoção animal unicamente com o recurso à arte, ou também existem apoios alimentares e veterinários por parte do Be my Friend?


Já ajudámos Associações com apoios alimentares e veterinários, conseguidos através de donativos dos nossos seguidores. Seria muito bom se, sempre que fosse fazer uma sessão fotográfica, pudesse levar ração ou algo que aquela Associação necessitasse.


A divulgação do projeto tem aumentado muito nos últimos meses, muito por conta das redes sociais, considera que a partilha dos perfis sociais podem ter impacto na adoção dos animais nos canis portugueses, e desta forma todos podemos contribuir de forma direta ou indireta no projeto?


As redes sociais são o principal meio de divulgação e é ali que os animais ganham maior visibilidade. As interações dos seguidores, com os "gostos", comentários, "saves" e partilhas, é essencial e ajuda imenso!


Existem previsões para alargar o leque de canis parceiros, por exemplo na cidade de Viseu?


O objetivo é conseguir ir a todos os canis e associações. A disponibilidade é limitada e os pedidos são muitos, mas conto também ir a Viseu.


Agora o projeto saiu das redes sociais e do website do Be my Friend e foi até à população, com diversas exposições. De que forma é importante esta divulgação mais presencial? E qual o objetivo com estas exposições?


Serão sete exposições, nos centros comerciais geridos pela CBRE. Tem a vertente artística, de expor os retratos, e pretendemos também aumentar a visibilidade dos animais e incentivar a adoção. As fotografias expostas estão num formato grande e causam ainda mais impacto do que nas redes sociais.

 

Sabia que?

O ano de 2019 foi recorde nos maus-tratos a animais, tendo sido registadas pela Guarda Nacional Republicana 4.142 denúncias através da Linha SOS Ambiente e Território. Parte destes animais tiveram como destino, os canis e associações que, cada vez menos, têm recursos humanos e materiais para conseguirem realizar esta tarefa.

 

 

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