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A Neuróbica como solução para um cérebro mais ágil

por Redação

13 de setembro de 2020, 08:00

Foto Arquivo Jornal do Centro

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É habitual esquecer-se frequentemente das chaves do carro, da carteira ou do que ia fazer à cozinha? Não sabe onde estacionou o carro ou onde guardou algo importante?

Com o passar dos anos sente-se mais esquecida/o do que nunca? Sente que a sua memória o trai mais vezes do que ajuda? A neuróbica poderá ser o segredo. Mas em que consiste? Basicamente são exercícios de aeróbica..., mas para os neurónios.

O conceito científico é baseado em pesquisas de neurociência. Lawrence Katz, neurocientista e autor do livro «Keep Your Brain Alive», expõe diversos exercícios que ajudam a estimular e a prevenir a perda de memória, bem como aumentar a agilidade e a perceção mental, através de várias combinações dos cinco sentidos, recorrendo ao lado emocional e social.

O Jornal do Centro revela-lhe os exercícios que, aplicados ao seu dia-a-dia, podem lhe trazer um cérebro mais ativo e saudável.


 

Em que consiste a Neuróbica?

Tal como o corpo precisa de exercício físico para se manter em forma, saudável e ativo, também o cérebro precisa de ser estimulado e exercitado, de forma a melhorar a sua capacidade produtiva e a memória. Como? Através de exercícios de Neuróbica. A teoria apresentada no livro do neurocientista internacional é baseada em vários estudos e experiências realizadas pelo próprio, confirmando que tal como o corpo, o cérebro necessita de uma ginástica especifica para se desenvolver de forma equilibrada e saudável, uma vez que este, ao longo do tempo, vai perdendo a sua capacidade produtiva. Segundo Lawrence Katz, “é muito comum, ao longo do tempo, não prestarmos atenção aos momentos mais rotineiros do nosso dia, fazendo-os quase de forma automática, sendo este, o verdadeiro motivo pelo qual nos esquecemos dessas mesmas ações pouco tempo depois destas serem realizadas”. Acrescenta ainda que “o principal objetivo da Neuróbica é estimular, através de exercícios mentais, os sentidos sensoriais, fazendo com que a pessoa dê mais atenção às suas ações, melhorando, desta forma, a concentração, produtividade e memória. Ou seja, não é uma questão de acrescentar novas atividades na rotina, mas de fazer o que faz de forma diferente”.


 

Em que consistem estes exercícios?

Os exercícios são variados e podem consistir na inversão de movimentos como na alteração da perceção, de forma a modificar a vivência de cada atividade. De facto, o objetivo passa por combater as ações automáticas do cérebro e começar a executar as tarefas com a total consciência, para despertar reações emocionais e cerebrais. Assim, a neuróbica constitui esses hábitos que ajudam a estimular e a desenvolver as células cerebrais, deixando a mente mais saudável. A neuróbica vai mais além dos já conhecidos testes de Q.I. ou palavras cruzadas, trata-se de mudar o comportamento rotineiro de maneira a forçar a memória e a concentração. Para tal, serão estimulados os cinco sentidos – visão, olfato, paladar, tato e audição –, bem como os sentidos de foro social e emocional.


 

Exercícios Mentais

Antes de qualquer explicação, salientar que nenhum exercício resulta se a pessoa não estiver motivada. Por isso é que estes exercícios foram criados para serem utilizados no dia-a-dia, como ao levantar, trabalhar, comer, relaxar ou socializar. A neuróbica é recomendada como uma escolha a acrescentar a um estilo de vida saudável, não uma cura momentânea ou um curso intensivo. O cérebro não se trabalha, vai-se trabalhando, alertam os especialistas. Desta forma separamos um conjunto de práticas a implementar no seu dia-a-dia de forma a potencializar as capacidades do seu cérebro.


 

Iniciar e terminar o dia - Todos temos rituais da manhã e final do dia, hábitos que fomos criando – como a ordem de acordar, tomar banho, comer e lavar os dentes. Porém, estes hábitos fazem com que o cérebro caia em piloto automático e funcione apenas pela metade nestas alturas do dia. Para que isso não aconteça, o estudo sugere experimentar novos aromas e novos sabores, fora do habitual. Isto para atrair um novo conjunto de estímulos cerebrais associados as papilas gustativas e ao olfato. Ao realizar esta mudança irá fazer com que novos odores despertem a ativação de novas vias neurais.


 

Um novo caminho - Utilizamos sempre mapas mentais para percorrer as nossas rotinas. Ora, a determinada altura, tem centenas de mapas mentais que nos facilitam a vida no geral, como o caminho até ao trabalho, por exemplo. Perder o senso de lugar gera confusão e é, na maioria das vezes, assustador. Mas quebrar estes padrões pode ser o segredo. As mudanças são simples e facilmente colocadas em prática. A melhor sugestão para esta mudança de rotinas se iniciar passa por encontrar novos caminhos para o trabalho. Um rota desconhecida ativa o hipocampo a integrar novas visões, cheiros e sons que encontra no novo caminho.


 

No trabalho - De segunda a sexta (às vezes durante o fim-de-semana) passa mais de oito horas no seu local de trabalho. Se refletir, ao longo da vida é onde passa mais tempo e é aqui que fica a maior perda das habilidades cognitivas. O desgaste será certamente evidente ao longo dos anos. Mas é aqui que pode, também, por em prática diversos exercícios par estímulos cerebrais. Faça um pequeno jogo: mude as coisas de sítio, como o telefone ou o balde do lixo, por exemplo. Troque também o sítio onde coloca o rato do computador, de forma a alternar a mão com que o utiliza. Pode não imaginar, mas com esta pequena mudança de hábitos, irá a combater o pensamento reativo e promover as suas áreas visuais e sensoriais para uma maior atividade. Caso lhe seja permitido, mude também os horários das pausas ou a ordem de atividades de trabalho.


 

Mudança dos hábitos à mesa - A alimentação marca uma especial associação emocional no nosso cérebro – comida de “conforto”, aniversários, jantares especiais, feriados, momento para partilhar o dia com a família, etc. Ora, nestes momentos, o olfato, o tato, a visão, o sabor e, até o lado emocional, estão extremamente ligado e a enviar associações ao córtex cerebral, bem como aos circuitos de memória. Uma forma de trazer novas valências para o nosso cérebro é mudar a forma como nos alimentamos. Um bom exercício para estas alturas do dia passa por realizar as refeições principais em absoluto silêncio, este pormenor, terá um grande impacto de como perceciona as coisas. A ausência de sons e ruídos faz com que o cérebro utilize, automaticamente, circuitos associativos para escutar e decifrar o que está o que o rodeia.


 

Nas atividades de casa - Após um longo dia de trabalho, de uma semana difícil ou de um mês atribulado, é essencial ter algum tempo para relaxar e dar uma lufada de ar fresco à sua mente. Assistir a programas de televisão, séries ou filmes é o mais instintivo, mas há inúmeros exercícios que pode adotar nestes momentos para trabalhar o seu cérebro. As artes visuais são um excelente exercício criativo que visa promover o bom funcionamento da mente. Pense numa série ou filme que gosta e reproduza-o sem som. De seguida, desafie os seus companheiros de casa para fazerem o guião, estipulando que cada um é uma personagem. O objetivo é improvisar as falas de acordo com o que está a acontecer na televisão. O segredo é explorar a criatividade e capacidade de improviso.

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