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De Belém para Viseu 

por Redação

28 de novembro de 2020, 08:00

Foto DR

CLIPS ÁUDIO

O brasileiro Kevin Silva chegou a Portugal há nove anos. Fixou-se em Viseu e desde que aterrou em solo nacional nunca mais abandonou a cidade. 

Kevin veio com a mãe que o foi buscar à terra natal, Belém, quando tinha apenas dez anos. A progenitora tinha abandonado a capital do estado do Pará anos antes. Primeiro passou por França e depois mudou-se para Portugal. Quando conseguiu estabilizar a sua vida foi buscar o filho ao Brasil. Foi nessa altura que a vida de Kevin mudou. 

“A mudança foi rápida e como era apenas uma criança foi tudo mais fácil. Cheguei em junho e em setembro já estava na escola. Uma das primeiras coisas que fiz foi aprender o sotaque. Em menos de um ano já falava como um português e quando dizia que era brasileiro ninguém acreditava em mim”, conta. 

O que mais custou a este cidadão, agora com dupla nacionalidade, foi habituar-se ao frio. O seu corpo só se adaptou às temperaturas mais baixas e ao inverno lusitano passado um ano e meio.

“Depois foi tranquilo”, garante, salientando que na sua terra natal a temperatura normal são 30 graus durante o ano e não existe inverno. 

“Nós até brincamos que o pai natal vem de camisa florida e de calções”, frisa. 

Kevin assegura que a adaptação foi boa. Foi bem integrado na escola que o recebeu, mas não esconde que teve algumas dificuldades iniciais com a língua, porque há palavras em Portugal e no Brasil com significados diferentes. Um dos problemas que teve foi com os palavrões que não são bem iguais nos dois lados do Atlântico. 

“Não me arrependo de ter vindo”, salienta o luso-brasileiro, que pensa que está em solo português e no continente europeu por uma razão. 

Membro da Igreja Evangélica Restaurada em Cristo, sediada em Viseu, Kevin acredita que está na cidade de Viriato para aprender e aprofundar a sua área espiritual. 

“Acredito muito em Deus e que estou aqui para fazer missões. O meu alvo é trazer pessoas para Jesus. O meu propósito de estar na Europa não é ganhar dinheiro”, explica. 

Formado em cozinha e pastelaria, este emigrante encontra-se desempregado desde fevereiro, mas não baixou os braços. Quer agora abrir uma agência de design gráfico e trabalhar para Portugal, mas também para outros países, como o Brasil. O seu negócio deverá avançar muito em breve. 

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Kevin nunca se sentiu discriminado por ser brasileiro, mas conhece histórias de pessoas próximas que até chegaram a ser agredidas por serem estrangeiras.  

Quanto ao futuro, diz que só volta de vez para o Brasil se o país se tornar a maior e melhor potencia mundial, como os Estados Unidos. Caso contrário, só regressará de férias, como já fez por duas vezes. 

“Só lá vou pela família e pela comida. Não conseguimos recriar aqui a nossa culinária”, adianta. 

É em Portugal e em Viseu que se quer reformar. “Eu amo a cidade, nunca sai de cá desde que cheguei. Tentei sempre sair, mas não consegui. Sinto que Deus quer que eu fique aqui”, afirma. 

Do nosso país, que também já é o seu, e da cidade de Viriato não tem queixas a fazer, nem do sistema de saúde, alvo de muitas queixas dos portugueses. 

E o que mais gosta em Viseu? 

“É complicada essa resposta porque eu gosto de tudo, das ruas. Viseu é o posto da minha cidade, onde é tudo padronizado, com retas. Aqui as ruas são diferentes, as flores são bem cuidadas, há subidas”, explica. 

Nem a pandemia causada pela Covid-19 fizeram Kevin mudar de ideias sobre terras lusitanas. É por cá que quer ficar até porque acredita que tudo vai ficar bem. 

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