03 dez
Viseu

Saúde

Médicos queixam-se de mais agressões verbais nos hospitais e centros de saúde

por Redação

22 de outubro de 2020, 15:41

Foto Arquivo Jornal do Centro

CLIPS ÁUDIO

Há mais agressões verbais a profissionais de saúde na região de Viseu. Os casos têm ocorrido sobretudo nos centros de saúde, onde os médicos também se queixam de excesso de trabalho por causa da pandemia da Covid-19. Já os utentes reclamam mais da falta de atendimento, sobretudo pelo telefone.

Os profissionais acreditam que a situação pandémica potenciou este comportamento.

Em declarações ao Jornal do Centro, o sindicalista Noel Carrilho, presidente da Federação Nacional dos Médicos, diz que os utentes têm feito mais agressões verbais aos profissionais. “Não são necessariamente agressões físicas. São mais injúrias e ameaças”, revela.

Noel Carrilho refere que se verifica “um aumento da conflitualidade”, devido ao que considera ser uma “incapacidade de dar seguimento à assistência médica a muitos doentes” nos hospitais e, sobretudo, nas urgências e nos centros de saúde, onde, reconhece, os utentes têm “maior expetativa de serem atendidos, mas depois ficam frustrados e, por vezes, desesperados por não terem assistência”.

Por isso, o sindicalista apela à calma e pede aos utentes para que compreendam a “situação difícil” que os profissionais de saúde atravessam, acrescentando que os médicos não merecem ser agredidos.

“Compreendemos a situação difícil em que muitos doentes se encontram, com dificuldade em ter no Serviço Nacional de Saúde a assistência necessária. Ainda assim, pedimos para que não descarreguem as suas frustrações nos profissionais de saúde, que não merecem. É perverso e penoso sofrer este tipo de agressões. Às vezes, uma pequena agressão que pode parecer inocente ou uma pequena injúria que parece não ter mal pesa significativamente nos profissionais”, explicita.

Noel Carrilho entende que as agressões podiam ser evitadas se os médicos tivessem mais condições de trabalho. Além disso, defende a contratação de mais profissionais e também um “redimensionamento dos utentes, permitindo aos médicos dar uma assistência atempada aos doentes”.

O presidente da Federação dos Médicos acusa o Ministério da Saúde de criar expetativas junto dos utentes, que não se coadunam com a realidade nas unidades de saúde.

“Há a expetativa criada pela tutela de que a assistência Covid e não-Covid retomou em pleno. Portanto, vai criando expetativas nos utentes, mas depois a realidade não se compadece dessas afirmações e cria condições para que se crie a frustração muito mais facilmente”, remata.

Ouça e trabalhe ao mesmo tempo

Destaques

Podcasts