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Viseu

Sociedade

Os crimes que chocaram uma região em 15 anos

por Redação

15 de agosto de 2020, 08:30

Foto Igor Ferreira

CLIPS ÁUDIO

Na manhã de sexta-feira (14 de agosto), uma mulher foi morta a tiro em Lalim, no concelho de Lamego, quando ela e uma amiga se deslocavam para o local de trabalho. O principal suspeito é o ex-marido da vítima que se colocou em fuga, com as autoridades ao seu encalce.

O Jornal do Centro recorda outros casos de homicídios no distrito. Alguns, tal como este, também escaparam durante algum tempo aos radares das autoridades 

 

Manuel Palito. Matou a ex-sogra e uma tia. Esteve 34 dias em fuga

O caso de Manuel Pinto Baltazar, mais conhecido por "Palito", remonta a 17 abril de 2014.

O homicida de Valongo dos Azeites, no concelho de São João da Pesqueira, baleou mortalmente a ex-sogra, a tia e feriu a ex-mulher e a filha de ambos, quando as quatro estavam num armazém a fazer bolos para a Páscoa.

"Palito", na altura com 60 anos, esteve 34 dias a monte. Acabou por ser detido no dia 21 de maio de 2015 (34 dias depois dos crimes), quando tentava entrar em casa, na freguesia de Trevões, vigiada por meios eletrónicos e por agentes nas redondezas. 

O homicida estava armado com uma caçadeira, mas não ofereceu resistência.

Foi condenado à pena máxima de 25 anos de prisão, em julho de 2015. 

O tribunal de Viseu considerou provado que Manuel Baltazar tinha a intenção de matar as quatro vítimas, disparando contra a filha, Sónia Baltazar, e a ex-mulher, Maria Angelina Baltazar, que ficaram feridas, e duas familiares desta, a tia e a mãe, Elisa Barros e Maria Lina Silva, que acabaram por morrer. 

 

Bombeiro esfaqueou amante em Moimenta da Beira

Carlos Loureiro, de 27 anos, matou Marina, de 25, a 31 de janeiro de 2019, em Moimenta da Beira. 

O crime terá sido cometido após discussões sobre uma eventual gravidez, fruto da "única relação" extraconjugal de ambas as partes.

O bombeiro terá matado a amante com sete facadas, quase todas no pescoço. Foi condenado a uma pena de 18 anos e seis meses e uma indemnização superior a 100 mil euros. 

 

Matou a namorada à marretada e atirou-a à barragem

David Saldanha, na altura com 22 anos, matou a namorada, Joana Fulgêncio, de 20, na madrugada de 18 de novembro de 2009. 

O rapaz, aluno do curso de Engenharia do Ambiente, no Instituto Politécnico de Viseu (IPV), confessou em Tribunal ter cometido o crime com uma marreta, colocando depois o corpo da vítima num carro que atirou para uma ravina junto à Barragem de Fagilde, concelho de Mangualde.

Cerca de um ano depois, David Saldanha foi condenado a 18 anos de prisão.

 

Anita foi morta e enterrada. Estava grávida de seis meses

Anita Paiva Marques, de 17 anos, grávida de seis meses, foi estrangulada e enterrada pelo pai do bebé, um homem de 25 anos, casado, que mantinha com a vítima uma relação amorosa clandestina, em 13 de fevereiro de 2005.

O cadáver de Anita Marques foi descoberto soterrado numa ravina próxima do IP3, em Outeiro Mau, Baltar. A localização do cadáver terá sido indicada à PJ pelo próprio autor do crime.

Paulo Jorge Figueira, de 26 anos na altura, operário da construção civil, natural de São Pedro do Sul e a morar em Castro Daire, manteria uma “relação amorosa clandestina” com a vítima, de que resultou a “gravidez indesejada” e que terá motivado o crime.

O arguido terá estrangulado a menor com o cachecol, ocultando o corpo num bidão. Mais tarde, transportou-o e soterrou-o numa ravina, onde viria a ser descoberto.

Quando foi detido, ainda transportaria no carro a pá usada para enterrar a vítima.

Foi considerado culpado dos crimes de homicídio qualificado e de ocultação de cadáver. Apanhou 18 anos de prisão.

 

Matou o marido à facada à frente dos filhos menores 

Os homicídios de violência doméstica também abrangem vítimas do sexo masculino. Fausto Rodrigues, de 44 anos, foi assassinado à facada pela mulher, Engrácia Dias, de 43. O crime, que aconteceu na noite de 16 de junho de 2006, deixou chocada a aldeia de Cotelo, do cimo da serra de Montemuro, no concelho de Castro Daire.

Engrácia puxou de uma faca e atingiu o marido no pescoço. Fausto caiu a esvair-se em sangue no chão da cozinha. A mulher largou a faca e fugiu de casa. Os dois filhos menores do casal, João Marcelo, de 11, e Edgar, 14 anos, ainda tentaram socorrer o pai.

A mulher acabou por entregar-se e confessar às autoridades a autoria do homicídio. Foi condenada a 12 anos de prisão.

 

Matou três jovens e desfez-se dos corpos

Isabel Cristina Isidoro, de 17 anos, Mariana Gonçalves Lourenço, de 18, e Joana Margarida Marques de Oliveira, de 17, morreram às mãos de um ex-militar da GNR de Santa Comba Dão, no concelho de Tondela. O Cabo Costa, que se desfez, depois, dos corpos das vítimas.

Os crimes aconteceram entre 2005 e 2006. 

Em maio de 2005 aparece o primeiro corpo, o de Isabel Isidoro. Tinha desaparecido sete dias antes da casa onde vivia, com os pais e os quatro irmãos. 

O corpo foi encontrado por um pescador, perto da praia do Cabedelo, na Figueira da Foz. Estava ainda dentro do saco de serapilheira onde tinha sido colocado. 

A autópsia ao cadáver revelou que Isabel Cristina ainda estava viva quando foi lançada à água pelo Cabo Costa, morreu afogada.

Mariana Lourenço foi a segunda vítima. Desapareceu a 15 de outubro de 2005. António Costa voltou a matar. O corpo da jovem foi lançado ao Rio Mondego.

A 1 de junho aparece parte do corpo de Mariana um mês depois a outra parte. Mas o serial killer não ficou por ali. Seis meses depois, uma nova vítima.

Joana Marques de Oliveira morreu a 8 de maio de 2006.

O cabo Costa foi detido pela PJ a 24 de junho de 2006. Confessou os crimes aos inspetores. Foi condenado à pena máxima de prisão.

 

Violência doméstica na região e no país

Em 2019, o Jornal do Centro tinha noticiado que, até então e em 15 anos, tinham-se registado 25 homicídios e 33 tentativas contra mulheres no distrito, incluindo duas vítimas de violência extrema em Viseu e em Moimenta da Beira.

A nível nacional, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) tinha registado 45 mulheres mortas em 2019, fruto de homicídios consumados. A maioria das vítimas foram mulheres, com 80,5 por cento, e com idades entre os 25 e os 54 anos de idade (36,6 por cento). Os homens representaram 18,7 por cento. A idade média das vítimas era de 42 anos.

Já os autores de crime foram apurados em 11.836, sendo que cerca de 66 por cento eram homens. Entre vítimas e autores de crimes, 45,4 por cento tinham relações de intimidade.

No ano passado, a APAV atendeu 117 vítimas oriundas do distrito de Viseu, mais 36 face a 2018. Os concelhos com mais casos foram Viseu (27), Lamego (13), Cinfães (13) e Tondela (12).

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