A OUVIR 98.9 FM
           00:00:00 | 00:00:00        
      
 
        

Abaixo-assinado para evitar fim de cirurgia cérvico-facial

Edição de 12 de janeiro de 2018
12-01-2018
 

Médicos do Hospital S. Teotónio, em Viseu, lançaram um abaixo-assinado para convencer a administração desta unidade de saúde a não terminar com o grupo de trabalho que há nove anos está a desenvolver serviços na área da cirurgia oncológica da cabeça e pescoço (cérvico-facial).

Subscrito já por 92 pessoas, o documento reclama “o direito a que este grupo de trabalho permaneça em atividade no Hospital São Teotónio de forma una e indivisa”. Há cerca de três meses foi anunciado de que um dos elementos (otorrino) deixaria de efetuar este trabalho, “desmembrando” o grupo que era ainda constituído pelo cirurgião maxilo-facial Canas Marques.

“Todo o trabalho assistencial passará para Coimbra”, lamentou o cirurgião, lembrando que este grupo já prestou serviço a mais de uma centena de doentes, dos quais 85 ainda estão a ser seguidos nas consultas externas.

“Entendo que a cirurgia oncológica deve ser de proximidade desde que estejam reunidas as condições e foi isso que implementámos em Viseu, as condições para que os doentes fossem aqui seguidos”, explicou Canas Marques que diz não entender porque é que o Hospital está “a andar para trás” quando até já anunciou que dentro de dois anos terá “um bunker com serviço de radioterapia”.

No abaixo-assinado, os subscritores referem que, recentemente, foram confrontados com a decisão da direção do serviço de Otorringolorogia e da própria administração do Hospital de pôr termo a este serviço. Uma decisão que, dizem, “foi tomada unilateralmente”, “sem qualquer razão válida” e “ignorando toda a casuística e a importância fundamental na assistência aos doentes oncológicos do distrito de Viseu que carecem de cuidados especializados, os quais, só este grupo está atualmente capacitado para proporcionar, numa perspetiva de proximidade comunitária”.

Constituído em janeiro de 2009, este grupo de trabalho multidisciplinar foi criado com o objetivo de desenvolver a área da cirurgia cérvico-facial no Hospital São Teotónio. O grupo era constituído por um cirurgião maxilofacial e um otorrinolaringologista. “Desse trabalho, que durou nove anos, foram tratados centenas de pacientes oncológicos, com qualidade e quantidade reconhecida por todos no Hospital e fora do mesmo”, lembrou Canas Marques que diz que terá de regressar a Lisboa, uma vez que em Viseu foi-lhe “vedada” a continuidade de um projeto que vai colocar em causa o apoio aos doentes.

O conselho de administração do Hospital afirmou não fazer qualquer comentário sobre este assunto.





  • 2002 - 2018 - Jornal do Centro é uma marca registada da Legenda Transparente, lda
  • Desenvolvido por: WLC.PT