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ACERT com orçamento de emergência para enfrentar cortes da DGArtes

PCP, ACERT, Tondela
13-06-2018
 

A Associação Cultural e Recreativa de Tondela (ACERT) fez um orçamento de emergência para enfrentar o corte no apoio da Direção-Geral das Artes e corre o risco de ter que despedir funcionários e de se endividar, avisou esta quinta-feira (13 de junho) um dirigente.

Pompeu José, que integra a direção da ACERT e que é também ator e programador, entre outras funções, esteve reunido com a deputada do PCP Ângela Moreira e com membros da direção regional de Viseu daquele partido, na sequência do corte de financiamento sofrido com o concurso dos Cruzamentos Disciplinares do Programa de Apoio Sustentado às Artes 2018-2021.

Para os quatro anos, a ACERT tinha pedido 1,6 milhões de euros, tendo-lhe sido atribuídos 960 mil euros.

Durante a reunião, Pompeu José explicou a dinâmica da ACERT, que tem como motor o seu grupo de teatro Trigo Limpo e aposta “num trabalho de relacionamento muito intenso com a comunidade”, com destaque para as “grandes máquinas” dos espetáculos de teatro de rua que são levados a vários pontos do país e ao estrangeiro, atraindo milhares de pessoas.

O ator referiu que os 240 mil euros que, em média, a ACERT vai receber por ano, não são suficientes para manter a mesma qualidade e quantidade da programação. Lembrou que, “de há 13 anos a esta parte, a média foi de 330 mil euros por ano” e, nalguns desses anos, o apoio chegou aos 400 mil euros.

“Parece que nos estão a querer fazer descer de divisão”, tentando que a ACERT se remeta “ao local e ao regional”, disse Pompeu José no final da reunião.

Segundo o responsável, até março, a ACERT cumpriu tudo o que estava programado, mas depois teve que “fazer um orçamento de emergência para conseguir funcionar até ao final deste ano sem por ainda em questão se despede ou não” alguns dos seus 15 funcionários.

“Há menos densidade de programação regular e, por exemplo, em princípio, o Tom de Festa, em vez de ser quatro dias, vai ser só três. Não há margem económica para conseguirmos manter um padrão parecido com o que tínhamos”, lamentou.

Pompeu José frisou que o que estão a tirar não é apenas dinheiro à ACERT: “Estão a tirar serviço que fazemos junto do território, das comunidades, por todo o país”.

“É esvaziar de meios uma intensidade e capacidade de trabalho e isso pode ser fatal. Parece que nos estão a penalizar por um erro que nunca chegámos a cometer”, lamentou, considerando que “existir uma entidade como a ACERT numa pequena cidade de interior é um luxo e custa dinheiro”.

Ângela Moreira disse ter ficado a perceber que a ACERT “é a única associação deste tipo que o país tem” e que “não merece o tratamento que está a ter por parte do Governo”.

“Não é só a associação que está em causa, é uma cidade do interior que merece o desenvolvimento que está a ter com o contributo da ACERT”, frisou, acrescentando que, por estes motivos, vai fazer uma pergunta ao Governo sobre este caso específico.

A deputada lembrou que, na sequência do concurso, o PCP tem um projeto de resolução “em que pede ao Governo que tome medidas para a correção dos resultados, que faça um reforço do seu financiamento e uma revisão do respetivo modelo de apoio”.

“O PCP tem consciência de que, para além de estes concursos não serem transparentes, as verbas não são adequadas às necessidades das associações e das companhias de teatro”, frisou.

Depois dos comunistas, a direção da ACERT irá ter uma outra reunião com o Sindicato dos Trabalhadores do Espetáculo. Já os parlamentares do PCP pretendem reunir com os responsáveis do Teatro Viriato mas, segundo Ângela Moreira, ainda não houve disponibilidade por parte da instituição de Viseu.





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