A OUVIR 98.9 FM
           00:00:00 | 00:00:00        
      
 
        

Agricultores reclamam apoios do Governo

Baldios, região, apoios
 

Delfim Moutinho

Presidente da Associação dos Baldios e Agricultores da Região de Viseu


 

Delfim Moutinho questiona a falta de apoios para ajudar os concelhos do distrito de Viseu dizimados pelos incêndios do ano passado


 

Delfim Moutinho manifesta-se preocupado com a pulverização dos eucaliptos no Caramulo


12-07-2018
 

A Associação dos Baldios e Agricultores da Região de Viseu (Balagri) exige que o Governo dê apoios aos agricultores do norte do distrito que foram afetados pelo mau tempo dos últimos meses, em particular nos concelhos de Lamego e Armamar.

Em declarações ao Jornal do Centro, o presidente Delfim Moutinho considera que a falta de apoios pode levar ao abandono da atividade agrícola e diz que as produções cultivadas este ano já não podem ser recuperadas, devido à dimensão dos estragos provocados.

“As intempéries em Lamego e Armamar causaram prejuízos incalculáveis, com pomares e produções completamente destruídas. As produções dos próximos anos estão comprometidas, não só a nível da fruta mas também das vinhas, devido à quantidade de árvores que foram partidas e ao granizo que caiu. Nas culturas frutícolas, os prejuízos são enormes”, frisa o responsável pela Balagri, lembrando que grande parte dos agricultores não tem seguro agrícola para cobrir os danos.

Por isso, Delfim Moutinho pede à tutela para que acompanhe e apoie os lavradores de modo a dar um contributo para a revitalização da agricultura no interior. “O interior está a sofrer um processo de desertificação. Quanto mais desanimados ficarem os agricultores, mais acelerado vai ser esse processo”, defende.

A Balagri também inquiriu o Governo sobre os motivos que levaram à não-inclusão dos concelhos do distrito afetados pelos incêndios do ano passado no Programa de Revitalização do Pinhal Interior, que também foi dizimado pelas chamas.

Delfim Moutinho questiona porque é que a tutela não criou um programa específico para ajudar os municípios das regiões de Viseu e Guarda depois dos fogos.

“Nós sabemos que há medidas do Programa de Desenvolvimento Rural 2020 que permitem candidaturas aos concelhos dos distritos de Viseu e Guarda. Mas há aqui uma pequena diferença, porque os do Pinhal Interior tiveram este programa específico de ajuda além das medidas do PDR 2020 e os de Viseu e Guarda não tiveram. Toda a gente sabe que também arderam e foram vítimas dos incêndios de outubro”, sustenta o presidente.

Entre os problemas levantados pelos fogos, a Balagri está preocupada com a pulverização que os produtores de eucaliptos fizeram na zona do Caramulo para controlar a doença do gorgulho, utilizando produtos que condicionaram a produção do mel. Delfim Moutinho diz que o produto utilizado, um inseticida do grupo dos neonicotinóides, veio prejudicar as abelhas que permaneciam na época da floração.

O responsável considera que as pulverizações foram o culminar de um ano que não foi positivo para os apicultores, que tiveram “perdas substanciais na ordem dos 60, 70 por cento”. Por isso, o presidente da Balagri defende que o Governo também devia apoiar os produtores apícolas para ajudar a preservar as produções.

“As ajudas de custo para a manutenção das colmeias aumentaram três vezes mais. Portanto, há uma perda de produção e aumentam os custos, já que existem muitos apicultores que mantêm-na ativa porque demora a crise e não têm este ano grandes prejuízos”, conclui Delfim Moutinho.





  • 2002 - 2018 - Jornal do Centro é uma marca registada da Legenda Transparente, lda
  • Desenvolvido por: WLC.PT