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Almeida Henriques disposto a “liderar uma revolta popular” pela oncologia em Viseu

12-06-2019
 

O presidente da Câmara de Viseu disse esta quarta-feira (12 de junho) que está disposto a “liderar um movimento da revolta popular” caso a ministra da Saúde não solucione o problema do serviço de oncologia no Centro Hospitalar Tondela-Viseu (CHTV).

“É inadmissível que, em Viseu, uma cidade média que serve um território tão vasto, coisas destas estejam a acontecer. Portanto, obviamente que estou disposto a liderar um movimento da revolta popular pela falta de ação do governo e da senhora ministra da Saúde nesta questão concreta, para já não falar de outras”, garantiu António Almeida Henriques.

A tomada de posição surge depois de na terça-feira (dia 11), o Sindicato dos Médicos da Zona Centro, o Sindicato Independente dos Médicos e a Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos referirem que a situação no CHTV atingiu o ponto de rutura e que o serviço de oncologia arrisca não receber novos doentes.

“Para já, estou a solicitar à senhora ministra uma audiência, para a qual convido todos os meus colegas a juntarem-se para que se sinta que esta é uma causa da região. Mas, se for necessário liderar um movimento popular, eu estarei à cabeça, porque começamos a estar um bocado fartos de ouvir falar tanto do interior e do desenvolvimento do interior e depois nem as questões mínimas são resolvidas”, sublinhou.

Almeida Henriques não escondeu a “preocupação e indignação” com “o limite a que se chegou, porque até aqui os médicos fizeram das tripas coração, mas pelos vistos também já não estão disponíveis para continuar a aguentar, por um lado a falta de médicos e, por outro, a falta de resposta”.

“Aquilo que se exige é que a senhora ministra de imediato resolva este problema no hospital central de Viseu, sob pena de termos de utilizar outras formas de luta, designadamente com a mobilização das populações para uma situação de discriminação negativa de que estamos a ser alvos”, ameaçou.

António Almeida Henriques contou que está a fazer “contactos bilaterais com os colegas autarcas da região, para marcarem presença na reunião com a senhora ministra” da Saúde e até à data, adiantou, “todos estão de acordo, porque esta é daquelas causas que não dividem”.

“O Hospital Central de Viseu é demasiado importante para esta região, com uma área de abrangência de 350 mil pessoas, e se ele tem competências e qualificações instaladas tem de ser reforçado com médicos e meios para que efetivamente não tenhamos de enviar as pessoas para outras paragens”, defendeu.

Câmara de Tondela exige resposta urgente

Já o presidente da Câmara Municipal de Tondela exigiu hoje ao Governo uma “resposta urgente” à falta de cuidados oncológicos no CHTV.

“Face à circunstância, teremos o cuidado de dirigir uma carta à senhora ministra da Saúde e naturalmente que em função daquilo que seja a resposta e avaliação que a mesma venha a fazer ponderaremos num contexto regional” uma reação, disse José António Jesus.

De acordo com o autarca, o centro hospitalar não se limita a Tondela e Viseu e, por isso, “por ser num contexto da região, merece uma avaliação regional”.

Também por isso, José António Jesus disse acreditar que o assunto seja discutido na reunião extraordinária de segunda-feira da Comunidade Intermunicipal (CIM) Viseu Dão Lafões, de forma que “esta tomada de posição tenha uma escala e amplitude regional”.

“O que se espera é que a administração do centro hospitalar rapidamente encontre os recursos humanos necessários para prestar a qualidade de serviço que é exigida, porque isso é o mínimo que se espera a quem tem de vir a uma instituição desta natureza”, defendeu o autarca.

José António Jesus disse ainda esperar que “esta situação não se eternize e seja meramente um sinal de alerta e que rapidamente seja solucionada”.

Sem esconder “preocupação”, José António Jesus lamentou um “sistema nacional de saúde não dá às necessidades básicas, nomeadamente tratamento”.

“A ausência de tratamento oncológico nos prazos estipulados em termos de protocolo, de facto, representa um problema de saúde e uma necessidade que se impõe como resposta urgente e isso não deixa de ser preocupante para todos nós e para a região”, acrescentou.

O autarca lembrou que “ao longo dos últimos tempos têm sido feitos vários alertas dos vários domínios do Centro Hospitalar Tondela-Viseu” e que o de terça-feira “não deixa de apresentar uma gravidade maior quando estes sinais vêm dizer que não têm condições para atender mais utentes” na área da oncologia.





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