26 fev
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Almeida Henriques exige "políticas inteligentes" contra as assimetrias

por Redação

22 de setembro de 2020, 15:09

Foto Igor Ferreira

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O vice-presidente da Associação Nacional de Municípios, o viseense Almeida Henriques, pediu esta terça-feira (22 de setembro) políticas inteligentes contra as assimetrias do país, com base na tecnologia, e que a distribuição dos fundos para a retoma económica não se concentrem em Lisboa e Porto.

Na “Portugal Smart Cities Summit 2020”, um evento sobre cidades inteligentes que teve início em Lisboa, o também presidente da Câmara de Viseu deixou uma mensagem do interior do país, na presença do ministro do Ambiente, João Matos Fernandes.

“Saibamos ter uma política inteligente nos territórios, exatamente para cidades médias, e ao mesmo tempo procurar neste novo quadro comunitário de apoio, nestes apoios para o desenvolvimento e para a retoma económica, que eles sejam bem localizados. Que, mais uma vez, não se concentrem estes apoios todos em torno de dois grandes centros, onde está a maior parte da população”, desafiou.

Almeida Henriques destacou que ao longo do percurso “já lá vão 102 mil milhões de euros investidos em Portugal de fundos europeus”, mas a realidade é que o tal “processo da coesão territorial não se verificou”.

O autarca destacou que a Covid-19 e os seus impactos socioeconómicos “evidenciaram também as oportunidades para o interior”, salientando que o teletrabalho “ganhou de facto um impulso completamente inimaginável”.

O autarca de Viseu afirmou que a pandemia acelerou a dinâmica do processo de digitalização, mas deixou “a nu a grande disparidade dos territórios”, onde “uma boa parte do território ainda não tem cobertura em fibra ótica nem 3G quando estamos já a falar do lançamento do 5G”.

“Como se pode fixar uma família ou uma empresa nestes territórios? Qual é o jovem que aceita viver com a sua família num território em que tem que andar às vezes 30 quilómetros para poder fazer até uma chamada através de GSM?”, questionou.

O autarca defendeu que as tecnologias podem ser uma forma de corrigir as assimetrias no país e criar riqueza nos territórios do interior, com apoio num “conceito de cidades médias, que sejam cada vez mais o motor dos territórios”.

“Também é possível criar riqueza nestes territórios, porque se houver boa acessibilidade, se tivermos competências, é possível ao mesmo tempo começarmos a fazer o percurso de criar uma administração mais eficaz, mais próxima dos cidadãos e cada vez com mais soluções. Também é possível fixar pessoas nesses territórios”, disse.

Por seu lado, o ministro João Matos Fernandes destacou que o Ministério do Ambiente tem uma agenda muito clara, nomeadamente com o roteiro para a neutralidade de carbono, a economia circular, o plano para adaptação climática, a estratégia para a biodiversidade e o desafio de chegar a zero emissões em 2050 na mobilidade, o que exige “grandes mudanças comportamentais”.

“O caminho já estava a ser feito. E este estranho momento em que vivemos tem de ser razão para acelerar esse mesmo caminho no sentido de políticas mais próximas, de criar melhores oportunidades e de garantir que a sustentabilidade é um grande fator de criação de riqueza no nosso país”, acrescentou.

De acordo com Matos Fernandes, “o ambiente, a sustentabilidade nas suas múltiplas faces que compõem este poliedro, são mesmo a pedra angular daquilo que vai ser a recuperação económica do país”.

A “Portugal Smart Cities Summit 2020” decorre até quinta-feira (dia 24) no Centro de Congressos de Lisboa, reunindo entidades, empresas, 'startups', municípios e universidades presencialmente e via digital.

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