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Ao fim de 2 meses, os reencontros são ao ar livre na Misericórdia de Lamego

por Redação

23 de Maio de 2020, 08:30

Foto Igor Ferreira

Lares voltam a aceitar visitas dentro de algumas restrições. No topo da nossa Senhora dos Remédios, em Lamego, já é possível, mas só com marcação prévia e durante um período de 30 minutos.

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João Ferreira Adrega, fosse inverno ou verão, costumava visitar a esposa todos os dias. Umas vezes de carro, à boleia, outras a pé, ficava sempre até lhe darem ordem contrária.  Confessa que gostava de aproveitar o tempo da melhor maneira que sabia. "Chegava às duas (horas) e íamos passear de mão dada". Mas isso era quando os "tempos" eram outros. Agora tem que se adaptar a uma nova realidade.
 

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No dia 16 de Março o país preparava-se para entrar em estado de emergência. As portas dos lares fecharam para visitas e foi assim que se mantiveram durante dois meses. Os familiares e entes queridos dos utentes das instalações, no decorrer deste período, arranjaram novas formas de comunicar à distância. Era do meio da rua e com os olhos voltados para a varanda que João acenava à sua esposa, apesar de ter Alzheimer,  na esperança de o reconhecer.


Já Gorete, em articulação com as funcionárias do Lar, ligava para a mãe todas as semanas. O seu irmão, mais desenrascado nas tecnologias, utilizava o "tablet" para fazer videoconferências. Tinham outra tranquilidade quando a conseguiam ver. Agora, ao ar livre a partilhar a mesma mesa que a mãe confessa: "foi uma maravilha, abençoada a hora em que isto aconteceu, só é complicado é isto das máscaras para eles entenderem".

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João, ainda à espera da esposa, não consegue esconder o nervosismo. "Foi muito díficil passar este isolamento sem a minha mulher, mas fico muito satisfeito e contente por poder voltar a estar no mesmo espaço que ela". Enquanto a vê aproximar-se a vontade de lhe tocar aumenta, mas as normas têm de ser cumpridas.

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Mais de dois metros de distância, desinfetar as mãos antes e depois da visita, máscara, apenas 30 minutos por pessoa e com marcação prévia. Foi assim que Marisa Fernandes, diretora do Lar de Lamego, conseguiu arranjar a solução de conciliar as normas da Direção-Geral de Saúde com a vontade dos seus utentes. "Neste momento sinto que é melhor estas visitas decorrerem no exterior. Ajuda os nossos utentes a ter outro animo e com a situação atual da Covid-19 sentimos que é a melhor solução". 

 

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As visitas no lar da Misericórdia de Lamego começaram esta sexta-feira (dia 22). Novas rotinas, mas a mesma vontade de sempre de estar junto de quem mais se quer.

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