25 jan
Viseu

Região

Covid-19: lar em Armamar com 21 casos. Presidente com relato "emocionante"

por Redação

27 de novembro de 2020, 12:04

Foto Igor Ferreira

CLIPS ÁUDIO

O Lar de São Cosmado, em Armamar, tem 21 casos confirmados de Covid-19. Ao todo, seis funcionários e todos os 15 idosos utentes da extensão da instituição testaram positivo ao novo coronavírus.

A informação foi confirmada esta sexta-feira (27 de novembro) pelo presidente do lar, Américo Moreira, que garantiu que a situação na extensão é estável.

“Os 15 utentes e seis funcionários infetados estão, para já, estáveis. Não se nota qualquer alteração no comportamento, nem há queixas. Estão bem dentro do possível e passaram bem a noite”, afirmou esta manhã de sexta-feira em declarações ao Jornal do Centro.

Ainda assim, Américo Moreira não esconde a preocupação com este surto, que já o levou a fazer trabalho redobrado, como confessou o presidente do Lar de São Cosmado.

“A pressão é terrível. Eu próprio, que sou voluntário e estou aqui por opção, fiz camas ontem (quinta-feira, dia 26). Equipei-me e estive durante doze horas seguidas com uma equipa de funcionários a trabalhar para que não faltasse realmente uma palavra de carinho e para que não faltasse nada aos nossos utentes, trazendo-lhes tranquilidade. Eu fico muito emocionado com este sofrimento, porque tudo fizemos para que isto não acontecesse, mas aconteceu”, relata.

Américo Moreira adiantou ainda que quatro funcionários da sede do lar já se deslocaram para a extensão, face à decisão do delegado de saúde de mandar para casa os colegas infetados.

Uma medida lamentada pelo responsável, que defende que as funcionárias que testaram positivo ao novo coronavírus deveriam ter ficado a trabalhar, mesmo estando infetadas.

“Eu julgo que, não tendo descoordenação e se estão infetadas, o melhor lugar para as funcionárias ficarem até se curarem seria o próprio sítio de trabalho, no lar junto dos utentes. Assim, não tínhamos que destacar outras pessoas com caso negativo para ficarem com pessoas que são positivas. Depois, não se sabe… isto é como um incêndio, não se sabe onde vai parar”, argumenta.

O presidente do Lar de São Cosmado acrescenta que, mesmo infetadas, as funcionárias podiam dar apoio aos infetados que também têm casos positivos. “Elas podem, porque os utentes estão todos positivos. Posso estar errado, mas penso que esta seria a melhor solução”, reafirma.

Américo Moreira acrescenta ainda que as autoridades de saúde só se deslocaram esta sexta-feira ao lar, lamentando que antes a resposta que teve foi a de que não estava disponível a brigada de intervenção rápida da Segurança Social, que agora já está desde esta manhã na instituição.

“Eu pergunto: se não há brigadas e se mandaram as funcionárias para casa… quem é que vai trabalhar e ficar com os 15 utentes? Porque é preciso entrar nos quartos onde estão isolados, vestir, despir, tirar… Se as funcionárias vão para casa, quem vai tratar deles? Não vamos abandoná-los. Nós temos de andar a fazer das tripas coração e a pedir a funcionários”, desabafou, antes de contar agora com esta nova ajuda.

O presidente da instituição confessa ainda cansaço e desgaste e admite que não sabe até que ponto o lar vai conseguir aguentar com este surto de casos de Covid-19, que já se prolonga desde o último fim de semana. Ainda assim, garante que estão a ser feitos esforços para que nada falte aos idosos.

A extensão do Lar de São Cosmado empregava nove funcionários no total. Américo Moreira garante que, na sede do Lar, não há casos de infeção por Covid-19 e que os utentes e funcionários da valência-sede têm sido testados com testes rápidos.

Ouça e trabalhe ao mesmo tempo

Destaques

Podcasts