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Aulas online: sucesso ou insucesso?

por Redação

21 de Maio de 2020, 16:44

Foto Arquivo Jornal do Centro

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Em tempos de pandemia e com o encerramento das escolas, alunos e professores viram-se forçados a entrar numa realidade que é ainda estranha para muita gente: ensinar e aprender através de um computador. Mas até que ponto será este novo método de ensino enriquecedor? Para muitos é um “insucesso”.

Kevin Santos, aluno do primeiro ano do curso de Comunicação Social na Escola Superior de Educação de Viseu, acredita que este tipo de ensino poderá vir a ser importante no futuro, mas que, por agora, este “ainda não é uma alternativa viável para um ensino com sucesso.” O estudante do ensino superior referiu ainda que o facto de, neste momento, os aspetos negativos serem superiores aos positivos é um fator que irá afetar o rendimento dos estudantes. “Considero que há demasiados pontos negativos no ensino online e que os únicos pontos positivos são mesmo o facto de não termos de sair de casa e podermos continuar o semestre, sem cancelamentos ou suspensões. Não é de todo enriquecedor, acredito que os resultados dos alunos vão refletir isso mesmo.”, explicou.

Com a necessidade de se adaptarem o mais rápido possível a este novo método de ensino, os alunos queixam-se das dificuldades que com ele surgem. “A maior dificuldade em ter aulas online é o facto de não existir interação entre professor e aluno”, lamenta Guilherme Correia, aluno do 12º ano da Escola Secundária Alves Martins que acrescenta ainda que apesar de se ter adaptado facilmente a esta realidade as aulas presenciais davam outro tipo de produtividade aos estudantes. “A minha adaptação foi fácil pois, com as novas tecnologias tudo se torna mais adaptável e eficaz, contudo, tenho a ideia de que presencialmente o ensino era mais produtivo”, afirmou o jovem estudante.

Com uma opinião semelhante, Filipe Cordeiro, aluno do 9ºano da Escola Profissional Mariana Seixas, assumiu que a passagem para o ensino online foi uma boa medida, mas que os alunos estão sobrecarregados com o número de tarefas que lhes é pedido e que existe uma dificuldade em contactar com os professores. “A maior dificuldade é cumprir com todas as tarefas que nos são propostas, para complicar a situação, é difícil entrar em contacto com alguns professores, que também estão com dificuldades em se adaptarem a esta situação”, admitiu o jovem.

Já para o estudante do ensino superior, Kevin Santos, as maiores dificuldades que este tipo de ensino apresenta prendem-se com o facto de exigir que os estudantes passem um grande número de horas em frente ao computador, algo que não é bom e não contribui para manter os níveis de concentração. “São demasiadas horas a assistir a aulas e a realizar trabalhos. Não se conseguem manter grandes níveis de concentração”, referiu. “Fico completamente esgotado, com os olhos num estado lastimável e a ansiar por um regresso à normalidade”, desabafou.

 

Professores pedem formação

Também inseridos nesta nova realidade estão os professores que, tal como os estudantes, tiveram que se saber adaptar ao ensino online. Véronique Delplancq, docente do departamento de Ciências da Linguagem e presidente do Conselho Pedagógico da Escola Superior de Educação de Viseu, admitiu ao Jornal do Centro que a maior dificuldade tem sido o facto de não existir uma interação presencial com os alunos, algo que, para a docente, é a componente que “dá vida às aulas”. A docente acrescentou ainda ser fundamental que se criem formações que ajudem os professores de forma a que estes consigam aumentar as suas capacidades de ensino neste tipo de formato. “Precisamos claramente de formações para melhorar as nossas competências neste formato de trabalho com os estudantes.”, admitiu a docente.

Pedro Coutinho, professor adjunto na ESEV e Coordenador da Licenciatura de Comunicação Social, confessou que a sua adaptação foi feita de uma forma suave pois “a prática normal das aulas já contava com um elevado índice de desmaterialização de processos físicos”, contudo a falta de uma interação presencial constitui um obstáculo que exige cuidados especiais nesta forma de ensino. “A proximidade física das comunidades académicas é um elemento vital para o estabelecimento de empatia e relacionamentos. Esse relacionamento é, muitas vezes, uma ferramenta importante para a resolução de dificuldades. A ausência dessa proximidade obriga a um maior cuidado e a uma maior insistência e reforço dos conteúdos e tarefas”, explicou Pedro Coutinho, que acrescentou ainda que este tipo de obstáculo faz com que fiquem a faltar “elementos como o feedback do olhar e da comunicação presencial dos alunos na sala de aula”.

Questionado sobre se a situação veio mostrar que o país está preparado para este tipo de ensino, João Ribeiro, aluno do 2ºano da Licenciatura de Comunicação Social na ESEV, acredita que não. “Não estamos preparados para este tipo de aprendizagem. As aulas a partir de casa acarretam inúmeros problemas como a exclusão tecnológica, que impede os alunos com dificuldades financeiras de assistir às aulas, a impossibilidade de os alunos terem contacto com material especializado e a substituição de conteúdo teórico por tarefas práticas, o que resulta numa sobrecarga de trabalhos para os alunos”, disse.

Kevin Santos partilha igualmente desta opinião, mas considera que este momento acaba por servir como um teste para se aprimorar este tipo de ensino. “Apesar de considerar que não estamos prontos, acredito que foi um grande passo em frente. Com o tempo e seguindo os bons exemplos de abordagem de alguns professores, acredito que o ensino online poderá ser uma realidade daqui a uns anos. Esta acaba por ser uma fase de experimentação e aprendizagem para, quem sabe, promover o ensino online num futuro próximo.”, referiu o estudante.

Para o docente Pedro Coutinho, este um método de ensino é uma boa alternativa para os tempos que se vivem, mas não será suficiente para se tornar um substituto completo do Ensino Superior. “Não o vejo de todo como solução única para o Ensino Superior. Acredito que é um excelente plano B para esta fase e que se pode tornar um complemento extraordinário num cenário pós-pandemia, reduzindo tempo e distâncias e acelerando alguns processos”, explicou o professor.

 

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