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Autarca de Viseu acusa PS de "hipocrisia" com proposta de nova barragem

por Redação

23 de fevereiro de 2021, 12:30

Foto D.R.

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O presidente da Câmara de Viseu fala de “hipocrisia” dos deputados do PS eleitos no Parlamento que anunciaram que iam propor para o Plano de Recuperação e Resiliência a construção da nova barragem de Fagilde.

O documento está em discussão pública e a receber contributos das várias entidades e os socialistas justificam esta escolha para  sensibilizar para o problema da falta de água nos concelhos que são servidos por esta infraestrutura, além da necessidade de construção de novas estações de tratamento de água e do uso para fins industriais das águas tratadas.

Ora, Almeida Henriques recorda que, em 2018, três autarquias do distrito controladas pelo PS – Nelas, Penalva do Castelo e Mangualde, na altura liderada por João Azevedo, que é também deputado e o candidato socialista à Câmara de Viseu para as autárquicas deste ano – romperam o plano da antiga empresa regional Águas de Viseu.

“Em 2018, já estávamos praticamente em vésperas de criar uma empresa regional de águas com oito municípios e estes três concelhos (Mangualde, Nelas e Penalva do Castelo) saíram do processo e prejudicaram o investimento do quadro comunitário de apoio. Se não existe hoje mais investimento feito, deve-se ao PS, que tem estes municípios”, lembra Almeida Henriques.

Ainda assim, o autarca concorda com o investimento no setor das águas e diz que o PS “já vem tarde”.

“Desde que iniciámos o processo de angariação (de concelhos para a anterior empresa Águas de Viseu) em 2016, a questão da Barragem sempre se colocou como prioritária e até já podia estar feita se os municípios de Mangualde, Nelas e Penalva do Castelo não tivessem saído do processo”, reafirma.

O presidente da autarquia de Viseu espera agora que a região consiga obter novo financiamento para a questão hídrica do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), conhecido como o plano da ‘bazuca’ para o pós-Covid-19 e que a Câmara classificou já como um documento que não resolverá a crise provocada pela atual pandemia e que prioriza alguns investimentos concentrados no litoral do país.

“Entendemos que este PRR está excessivamente litoralizado, porque a esmagadora maioria dos seus projetos está no litoral. Por outro lado, o PRR não confere a atenção exigida pela crise económica e em particular pelas pequenas e médias empresas”, opina Almeida Henriques.

O autarca diz que não vê no plano nenhuma aposta na criação de emprego, que devia a seu ver constituir como prioridade máxima do documento, e no retomar da economia pós-pandemia.

“Esta bazuca devia ter como primeira prioridade o combate ao desemprego, porque não se vê aqui um programa estruturante que consiga enquadrar os jovens quadros das empresas para estas retomarem a atividade e diminuir o desemprego. Não se vê um instrumento programático que permita recuperar a economia nestes próximos anos”, argumenta.

O presidente da Câmara de Viseu diz-se ainda preocupado com o facto de os municípios poderem contribuir pouco com propostas de investimento, já que o PRR prevê uma contribuição de cerca de 18 por cento.

O Plano de Recuperação e Resiliência de Portugal, para aceder às verbas comunitárias pós-crise da Covid-19, prevê 36 reformas e 77 investimentos nas áreas sociais, clima e digitalização, num total de 13,9 mil milhões de euros em subvenções.

Depois de um rascunho apresentado à Comissão Europeia em outubro passado e de um processo de conversações com Bruxelas, o Governo colocou a versão preliminar e resumida do PRR em consulta pública, no qual estipula "19 componentes, que integram por sua vez 36 reformas e 77 investimentos".

No documento, estão também previstos 2,7 mil milhões de euros em empréstimos, mas fonte do executivo garante que "ainda não está assegurado" que Portugal irá recorrer a esta vertente do Mecanismo de Recuperação e Resiliência, o principal instrumento do novo Fundo de Recuperação da União Europeia.

Previsto está que a maior fatia (61%) das verbas do PRR se destine à área da resiliência, num total de 8,5 mil milhões de euros em subvenções e de 2,4 mil milhões de euros em empréstimos.

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