03 mar
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Bombeiros Sapadores de Viseu já desinfetaram cerca de 100 edifícios

por Redação

16 de janeiro de 2021, 08:00

Foto Igor Ferreira

Reportagem nas viaturas de desinfeção

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Desde a chegada da pandemia de Covid-19, os Bombeiros Sapadores de Viseu passaram a ter uma nova tarefa: a desinfeção de instalações públicas do município (e não só). “Já são perto de 100 desinfeções”, lança Rui Poceiro, adjunto dos Bombeiros Sapadores de Viseu, adiantando que é um pouco de tudo, desde lares, Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), estabelecimentos escolares até edifícios do próprio município. 

O Jornal do Centro acompanhou um final de tarde e uma manhã de trabalho das equipas de desinfeção e testemunhou todos os procedimentos. A primeira paragem: Estádio dos Trambelos, em Vildemoinhos. 

As equipas são sempre de três elementos, juntamente com uma viatura específica para as desinfeções. “Entram dois e levam o rádio interno para comunicar com o que está cá fora de apoio”, explica Rui Poceiro, frisando que “devido a um grande investimento do município de Viseu”, os operacionais têm formação biológica e química pela Escola do Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa, o que permite “uma intervenção mais eficaz, profissional e segura”. 

E os materiais de desinfeção? Utiliza-se o típico pulverizador com um líquido desinfetante e um nebulizador. Este último, “permite fazer uma desinfeção a nível do ambiente, ou seja, cria umas partículas extremamente leves e finas, uma espécie de neblina que fica em suspensão no ar e permite uma desinfeção mais prolongada”, esclarece o adjunto dos Bombeiros Sapadores. Já o pulverizador, destina-se a todas as superfícies – “escadas, corredores, chão, paredes, teto, portas, por aí”. 

Conversas à parte, dirigimo-nos até ao Estádio dos Trambelos. Já era noite e as temperaturas ameaçavam descer até graus negativos. Os três bombeiros sapadores – Artur Santos, João Pereira e Miguel Duarte – começaram a pesada missão de “vestir tanta camada”. Falamos de um “fato amarelo reutilizável”, uma bata, perneiras, três pares de luvas, uma máscara com filtro de proteção biológica e química e “muita fita cola”. Diz-se que “é para isolar bem e não ficar nada à mostra”, sublinha Artur Santos, bombeiro sapador. 

Em poucos minutos, desinfetaram uma carrinha do clube, três balneários, a lavandaria, corredores e a sala de imprensa. Fecham-se portas e janelas por “30 minutos até estar em condições”. 

Novo dia, novo destino e uma nova equipa de desinfeção. Conhecemos Jorge Correia, Pedro Correia e Guilherme Sousa. Perto das 9h30, seguimos até ao Lar de Farminhão que, neste momento, regista 30 casos positivos à covid-19, dez recuperados e duas vítimas mortais. 

“A parte mais difícil do dia é isto”, desabafa Guilherme, enquanto veste o equipamento de proteção. Com a ajuda de Jorge, seguimos-lhe os movimentos até nos focarmos no chiar da fita cola a isolar as extremidades do fato. Pulverizador às costas e máscara posta, não hesitam em entrar. Esperam-lhes quatro casas de banho, dois salões e um quarto. Nos entretantos, chega uma ambulância com uma utente positiva à Covid-19. Na verdade, são boas notícias. “Já consegue fazer a recuperação no lar”, ouve-se ao longe. 

Conversámos também com Duarte Coelho, presidente da Associação de Solidariedade Social de Farminhão. Está confiante na recuperação dos 30 utentes que ainda permanecem positivos. “Estamos à espera de mais notícias porque não há sinais de que as coisas tenham piorado, pelo contrário, está tudo a melhorar” até porque a desinfeção “foi pedida precisamente para colocar nos quartos as pessoas que já estão recuperadas”. 

Aproxima-se o fim da intervenção e Jorge Correia procura preparar os últimos detalhes. Já se sabe: “Zona limpa e zona suja”. Cabe-lhe preparar o terreno. “Quando saírem, vou descontaminá-los com o desinfetante e depois com o pulverizador que só tem água”, refere, garantindo que a cada par de luvas que se tira “desinfetam-se sempre”. Sem esquecer que “o saco branco leva os fatos já desinfetados - que depois tornam a ser lavados - e os sacos vermelhos levam o lixo contaminado”, frisa Jorge. 

“A rotina é sempre esta”, suspira o bombeiro. No próximo dia 20 de janeiro, os utentes do Lar de Farminhão já cumprem o tempo de isolamento e “devem ficar todos negativos”. “Já estavam a perguntar para vir fazer a desinfeção novamente, uma mais geral”, confidencia, a encolher os ombros. 

A autarquia viseense já gastou mais de 2,5 milhões de euros só com o novo coronavírus, entre equipamento de proteção individual e desinfeção de instalações públicas por parte dos Bombeiros Sapadores.

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