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Chullage no Desobedoc que arranca no Cinema Ícaro em Viseu

Viseu, Desobedoc
01-05-2018
 

O Desobedoc começa esta terça-feira (1 de maio) no Cinema Ícaro, em Viseu, contando com iniciativas variadas de cultura, com prioridade para a mostra de cinema insubmisso. O evento vai prolongar-se até este sábado (5 de maio).

A iniciativa é organizada pelo partido Bloco de Esquerda, em parceria com o Cine Clube de Viseu, o Shortcutz, o Cinema Sétima Arte e várias outras instituições da região, contando com mais de 20 filmes, documentários, concertos e performances. O evento pretende reativar espaços que deixaram de ser frequentados como é o caso do Cinema Ícaro, que encerrou há cerca de 15 anos.

A 1 de maio, o programa arranca às 17h00 com a performance “Via Sátira”, que explora a queda de António Salazar de uma cadeira de lona há 50 anos e a forma como o objeto simboliza a oposição ao Estado Novo, manifestando-se como um sinal de que a democracia e a liberdade iriam chegar. Em conjunto com a performance, será exibido o documentário “Geração Feliz” de Leonor Areal, que retrata a história do grupo de teatro inesperado “Os Felizes da Fé” e a forma como desafiaram as autoridades e a moralidade com os seus “happenings” de rua.

A partir das 19h00, serão exibidos os documentários “Le Reprise du Travail auz Ausines Wonder” de Jacques Willemont, que retrata uma jovem trabalhadora que se insurge contra o regresso ao trabalho nas fábricas Wonder na localidade francesa de Saint-Ouen e “Primavera das Mulheres” de Antónia Pellegrino e Isabel Nascimento Silva, que mostra a ascensão do movimento feminista no Brasil e o protesto das mulheres contra a cultura do estupro e o retrocesso nos direitos conquistados em 2016.

O primeiro dia do Desobedoc termina com um concerto do rapper Chullage, às 22h30.

A transição de género, a homossexualidade e a luta contra a homofobia
As festividades do segundo dia (quarta-feira, 2 de maio) iniciam às 18h00 com o documentário nacional “Rip 2 My Youth” de João Figueiredo, João Pico e Elizabeth Vieira, que conta a história real de Isaac dos Santos, um jovem de 20 anos que passou pelo processo de transição de género. A sessão será apresentada pelo próprio.

Seguidamente, decorrerá o debate “Já Marchavas” que juntará ativistas e organizações a debater sobre a luta contra a homofobia e os direitos LGBTQIA+ (lésbicas, homossexuais, bissexuais, transsexuais, queers, intersexuais, assexuais e demais pessoas com orientação sexual distinta).

Às 21h30, será exibido os documentários franceses “Le F.A.H.R.” de Carole Roussopoulos, que mostra a participação da Frente Homossexual de Ação Revolucionária na manifestação do 1 de maio em 1971, e “Les Invisibles” de Sebastien Lifshitz, contando histórias de pessoas que nasceram entre as duas guerras mundiais e que contaram sobre como conciliaram o desejo de se manterem normais com a necessidade de se libertarem para crescer com a sua homossexualidade.

Um filme maldito da França e uma antestreia portuguesa
Nesta quinta-feira (3 de maio), os filmes em exibição são a obra francesa “Zero em Comportamento” de Jean Vigo às 18h00 e o documentário português “Luz Obscura” de Susana Sousa Dias às 21h30. “Zero em Comportamento” retrata a sociedade da época dos anos 30 e o abuso da autoridade que se praticava na altura, coincidindo com a privação das liberdades, tendo sido considerado como um filme “maldito” e proibido pela censura francesa entre 1932 e 1946.

Já “Luz Obscura”, que vem a Viseu em antestreia, revela como o sistema do Estado Novo operava dentro das famílias, em particularidade junto dos presos políticos e dos seus filhos menores, sendo que muitos destes nunca mais viram os pais e eram tratados como prisioneiros. Susana Sousa Dias tomou como ponto de partida o seu trabalho de revisitação dos arquivos do Estado Novo, em particular as fotografias tiradas pela polícia política, a PIDE.

A importância dos oceanos e da história
À sexta-feira (4 de maio), o dia começa às 18h00 com o documentário “O Botão de Nácar”, uma coprodução chilena, francesa e espanhola com a realização de Patricio Guzman e a história de como o Chile revela a importância dos oceanos e uma história interligada com os indígenas da Patagónia, os colonos ingleses e os prisioneiros políticos do regime de Augusto Pinochet.

Às 21h30, segue-se “O Caso J.” do português José Filipe Costa. Esta curta-metragem conta o desenrolar de um julgamento criminal no Brasil, onde dois polícias são acusados do extermínio injustificado do jovem intitulado por J. A sua mãe é interrogada pelo advogado dos agentes para esclarecer quem era o filho.

Depois de “O Caso J.”, o próprio José Filipe Costa apresenta o documentário brasileiro “Babás” de Consuelo Lins. A película reflete sobre a presença das babás no quotidiano de famílias brasileiras através de fotografias, filmes e anúncios de jornais do século XX, os afetos ligados à profissão e o passado da escravatura no país.

Último dia marcado por contos infantis e “Cinema Paraíso”
No domingo (5 de maio), o último dia do Desobedoc, a iniciativa começa mais cedo às 10h00 com o Desobedoquinho, onde será apresentada uma seleção de contos e curtas-metragens para os mais novos pelas mãos de Cláudia Sousa e Daniela Fernandes. A isto segue a realização de um ateliê de expressões plásticas e multimédia.

Pelas 15h00, será mostrado um dos filmes mais importantes do cinema contemporâneo italiano. “Cinema Paraíso” de Guiseppe Tornatore celebra este ano os 30 anos da sua estreia e conta a história de um cineasta que relembra a sua infância e o tempo em que ficou fascinado pela sétima arte no cinema da sua terra natal, através de uma amizade com o projecionista.

Às 19h00, serão exibidos dois documentários: “Comunidade, Work in Progress” da associação viseense ZunZum, com uma duração de apenas cinco minutos e “Carretera Cartonera” de Marta Mancusi e Anna Trento, que mostra o dia-a-dia de cooperativas e grupos de pessoas que se juntam para fazerem livros e encaderná-los na América Latina.

Finalmente às 21h30, o Desobedoc encerra com o documentário “No Intenso Agora” de João Moreira Salles, que reflete sobre os acontecimentos revolucionários da década de 60 como a Revolução Cultural na China e os protestos de 1968 na França e a forma como as pessoas que participaram nestes acontecimentos seguiram adiante depois do arrefecimento das paixões.

Além das sessões, a iniciativa também conta com exposições tais como uma mostra sobre as antigas salas de cinema de Viseu e a instalação coletiva Via Sátira, que explora o valor simbólico da cadeira e está associada à performance de abertura.





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