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Cooperativa do Távora equaciona vindima mecânica

Edição de 18 de outubro de 2019
19-10-2019
 

A Cooperativa Agrícola do Távora, produtora do espumante Terras do Demo, está a ponderar introduzir meios mecânicos na vindima. O assunto ainda está a ser estudado, mas a organização de produtores sediada em Moimenta da Beira já “andou a ver” máquinas para eventualmente comprar para fazer a colheita das uvas usadas nos espumantes, mas também nos vinhos de mesa.

“Tendo em vista as alterações climáticas que se estão a verificar cada vez mais na região e atendendo a que a mão de obra é cada vez mais rara e muito complicada, temos que ponderar a possibilidade de arranjar uma máquina que possa garantir a vindima”, explica João Silva, o presidente da Cooperativa Agrícola do Távora.

Segundo o dirigente, a falta de pessoal para colher os cachos é, nesta altura, uma das principais dificuldades da região do Távora, daí que a vindima mecânica seja encarada como a ideia “mais notória” para responder ao problema. “Uma máquina destas dá um rendimento fantástico, vindima um hectare por hora”, revela.

A cooperativa até já foi ver que tipo de máquinas pode adquirir ou mesmo alugar para trabalhar nos vinhedos. Cada aparelho destes pode custar cerca de 100 mil euros, mas este não é o único custo associado à vindima mecanizada. As pequenas propriedades da região têm também que ser adaptadas à maquinaria usada na apanha. “O grande problema é virar, as máquinas têm que ter espaço para virar nas cabeceiras. Precisam entre 5,5 a 6 metros, depois com isso pronto temos a garantia que a coisa funcionará melhor”, sustenta.

Para além das mudanças nas vinhas, que terão que ser “alinhadas”, a própria adega terá que sofrer também alterações para receber as uvas apanhadas por meios mecânicos. É ainda preciso “convencer os agricultores” a aderir a este tipo de colheita. João Silva acrescenta que a cooperativa não quer que a máquina a adquirir esmague logo as uvas no local. Esse trabalho deverá continuar a ser executado na própria adega para que a qualidade dos espumantes não sofra alterações.

“Queríamos ver se nos próximos dois anos tínhamos uma máquina dessa através de um programa operacional, porque isso terá que entrar numa candidatura. Teremos que inventariar quantos hectares é que estão disponíveis para serem vindimados e se as pessoas querem aceitar isso”, explica João Silva.

Maçãs continuam a ser apanhadas à mão

A apanha mecanizada é uma solução para as uvas, mas para a maçã não. Em alguns pontos do mundo já se usam robôs na colheita do fruto, mas essa é uma opção que não se aplica à região do Távora, porque os terrenos não estão preparados para isso, nem as próprias árvores. “Para haver um robô a ler e a apanhar maçãs ele tem que estar dimensionado e preparado para atuar dentro das fiadas das maceiras e isso é um assunto que nos próximos anos não estará aqui em vigor”, antecipa.

Para já as maçãs continuarão a ser “apanhadas à mão”, ainda que os agricultores também já se socorram das novas tecnologias. No norte do distrito, “já não anda tanta gente em cima do escadote”, porque os produtores adquiriram plataformas para facilitar a colheita. Com estes recolhedores, a apanha é feita ainda em cima do trator e quem lá anda possui um género de elevador que lhe permite alcançar os frutos que se encontram no fundo, como no topo das árvores.

“Essas plataformas são estruturas caras, rondam os 30 a 40 mil euros e são uma inovação para quem tem essa possibilidade. Já temos agricultores com isso, mas a adega não tem”, conclui João Silva.





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