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Coronavírus: utentes da Misericórdia de Resende não foram transferidos. Autarca aponta o dedo ao provedor

por Redação

26 de Março de 2020, 19:24

Foto Arquivo Jornal do Centro

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Ainda não há uma solução para os utentes do lar e da unidade de cuidados continuados da Misericórdia de Resende que contraíram Covid-19. Nenhum dos dois hospitais contactados até agora pelas autoridades se mostrou disponível para acolher os doentes.

“Não foi possível concretizar a transferência para o Hospital Militar. Depois, apareceu a possibilidade de um hospital privado, que disponibilizou 40 camas, e nós formulámos, no nosso gabinete de crise, um pedido a essa entidade no sentido de aceitar os nossos utentes”, relata o presidente da Câmara local, Garcez Trindade, em declarações ao Jornal do Centro.

O pedido ao hospital privado também não foi aceite, tendo chegado ao conhecimento da autarquia na manhã desta quinta-feira (26 de março). “Chegou um mail a dizer que não era possível, porque as 40 camas disponíveis seriam para tratamentos a doentes com necessidade de suporte respiratório”, conta o autarca resendense.

Na Santa Casa da Misericórdia de Resende, há 22 infetados entre utentes e profissionais. Garcez Trindade diz que os utentes com a doença estão isolados e os profissionais de saúde estão esgotados, acrescentando que, nesta altura, ainda se tenta que sejam substituídos por voluntários. Entretanto, o Exército procedeu esta quinta-feira à desinfeção e descontaminação da instituição social.

Ao Jornal do Centro, o presidente da Câmara de Resende admite ainda que está a haver uma grande desarticulação entre as entidades que estão no terreno e aponta mesmo o dedo ao provedor da Santa Casa local, Jaime Alves.

“A Santa Casa está com o problema. O seu provedor vê isto à maneira dele. Não comunica connosco, nem comunica com a Direção-Geral da Saúde. Espalham-se os boatos e as notícias. Enfim, eu não sei o que é que hei de dizer. Sinceramente, estou muito surpreendido e desiludido com a maneira como isto funciona. Pode ser que, com o andar dos dias, comece a acertar esta relação. Mas o que é certo é que não estamos a comunicar uns com os outros devidamente”, diz Garcez Trindade.

O Jornal do Centro aguarda por uma reação do provedor da Misericórdia de Resende. Antes, Jaime Alves disse que a instituição social já pediu ajuda ao Governo e que a Misericórdia pode não estar preparada para atender os doentes quando a situação clínica se agravar.

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