03 mar
Viseu

Região

Covid-19: há comerciantes que ameaçam fechar perante novo confinamento. Empresários elogiam abertura das escolas

por Redação

14 de janeiro de 2021, 14:18

Foto Arquivo Jornal do Centro

CLIPS ÁUDIO

A economia regional em Viseu vai ser bastante afetada pelo novo confinamento que entra em vigor sexta-feira (15 de janeiro) por causa da Covid-19.

Confinamento esse que encerrará restaurantes e lojas durante, pelo menos, um mês e que já está a deixar os comerciantes apreensivos e com receio do futuro, sendo que alguns deles podem mesmo nem sobreviver a esta paragem.

José Pinheiro, proprietário de um café em Viseu, espera uma quebra significativa na receita ao longo do próximo mês. “Vamos atravessar uma fase em que nos vai ser exigido mais um grande esforço além do que já foi feito até agora. Os custos iam-se equilibrando, só que vamos sentir uma quebra significativa em que nós temos de ir às nossas poupanças para o negócio se manter porque temos funcionários que têm famílias e despesas e nós temos de sentir toda esta estrutura. Temos de atravessar os bons e os maus momentos”, diz.

Já Ana Fernandes, responsável de uma frutaria, diz-se expectante com as próximas semanas. Esta comerciante não exclui a hipótese de poder fazer entregas ao domicílio. “Tenho alguma quebra nas vendas. As pessoas também têm cada vez menos poder de compra. Estamos assim um pouco reticentes com o que se irá passar neste confinamento. Estaremos disponíveis para o que for necessário como entregas, para que as pessoas possam estar em suas casas em segurança e terem os bens alimentares”, explica.

Uma outra comerciante, que preferiu não ser identificada, diz não entender o encerramento do pequeno comércio enquanto as escolas se mantêm abertas. “Estou muito transtornada e revoltada. O pequeno comércio fecha ao contrário das escolas, onde há muitas contaminadas e as crianças trazem para casa o contágio aos familiares. Não está de todo correto, não concordo. E também estou apreensiva do que poderá vir. Nos próximos tempos, estamos à espera que o nosso Presidente nos apoie e dê ajudas porque, senão, vamos todos encerrar”, afirma.

A mesma opinião tem Sandra, proprietária de uma retrosaria. “Nós já não vendemos praticamente nada, mas temos contas por pagar e não temos ajuda de ninguém. Não acho justo estar-se a fechar certas coisas, mas abertas as escolas. Não entendo porque é que os pequenos comércios têm de fechar e eles são o nosso ganha-pão”, diz.

Na restauração, o take-away é a solução, como diz Pedro Lopes. “É a trabalhar para perder dinheiro. A oferta é cada vez maior, porque no primeiro confinamento havia mais casas fechadas e agora não vão fechar tantas. Será mais complicado de se trabalhar. Prevejo que haja menos afluência de pessoas”, refere.

 

Associação Comercial já aguardava novo confinamento

O presidente da Associação Comercial do Distrito de Viseu, Gualter Mirandez, teme que alguns comerciantes da região não consigam resistir a mais um confinamento. “Estando os comerciantes fechados a 100 por cento e dependentes da caixa do dia, eu tenho muita preocupação e temo que alguns deles não venham a abrir mais”, afirma.

Face à evolução da pandemia, Gualter Mirandez admite que já esperava um novo confinamento e a ordem para encerrar o comércio. Para o presidente da ACDV, é importante saber os apoios que o Governo prometeu para ajudar o comércio, as lojas e os trabalhadores.

“Estamos à espera de que o ministro da Economia anuncie quais as medidas que vai tomar para proteger e salvaguardar os postos de trabalho e até as próprias lojas, porque estamos a falar de despesas correntes que os lojistas têm estando fechados a 100 por cento. Portanto, estamos a aguardar com alguma expetativa”, explica.

 

Empresas de restauração e hotelaria já não conseguem pagar salários

Já nos setores da restauração e da hotelaria, esperam-se dias ainda mais negros. Quem o diz é Jorge Loureiro, presidente da delegação de Viseu da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP).

“Estamos a falar do encerramento total das atividades por um mês e isso é totalmente insuportável para as empresas, que já vinham de uma dificuldade muito grande de 10 meses com pouquíssima atividade e que agora se veem perante uma total ausência quando as tesourarias já não conseguem colmatar”, afirma o empresário, acrescentando que um número significativo de empresas do setor já não conseguiu pagar os últimos salários.

Jorge Loureiro lembra ainda que as ajudas prometidas em dezembro, no valor de 2,5 mil milhões de euros, ainda não chegaram ao terreno. O presidente da delegação da AHRESP defende a urgência da disponibilidade dos apoios e até mesmo um reforço das medidas.

“Pedimos um reforço de proteção a 100 por cento para a manutenção dos postos de trabalho, um apoio imediato para a tesouraria das empresas e também um apoio para as rendas, que já está anunciado mas, a AHRESP entende, que terá de ser reforçado em termos de comparticipação”, refere.

A AHRESP já exigiu ao Governo medidas para proteger as empresas, face às novas restrições devido à pandemia, como o reforço dos apoios a fundo perdido. Apesar do encerramento dos restaurantes salvo para entregas, os hotéis podem continuar de portas abertas neste novo confinamento.

 

Este confinamento vai ser suave, diz presidente da AIRV

Já o presidente da AIRV - Associação Empresarial da Região de Viseu, João Cotta, considera que este é um confinamento mais suave face ao primeiro. Ainda assim, o empresário salienta o impacto financeiros que as restrições vão causar no tecido empresarial.

“Os setores mais atingidos vão ser o comércio não-alimentar, a restauração e a hotelaria, que não vão ter muito por onde fugir. Em relação aos outros setores, penso que os empresários adquiriram a experiência face ao que se passou em março e abril do ano passado. A economia vai ser obviamente afetada, com consequências negativas, mas parece-me que, do ponto de vista da gestão das empresas, este confinamento vai ser mais fácil de gerir”, explica.

João Cotta elogia ainda o Governo por ter mantido as escolas abertas, falando de um “fator importante para a qualidade do ensino e para as empresas”.

“Caso as escolas tivessem fechado, as empresas teriam uma gestão mais complicada porque muitos pais e mães teriam de ficar em casa para acompanhar os seus filhos menores. Portanto, parece-me ser um confinamento mais amigável”, remata o presidente da AIRV.

Ouça e trabalhe ao mesmo tempo

Destaques

Podcasts