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Covid-19: número de infetados em Viseu num só dia (149) igual ao acumulado em cinco meses

por Redação

09 de janeiro de 2021, 08:00

Foto Igor Ferreira

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A 31 de agosto de 2020, cinco meses depois do início da pandemia, o número de casos de Covid-19 acumulados no concelho de Viseu era de 150. A 5 de janeiro de 2021, num só dia, foram registadas pelas autoridades de saúde 149 pessoas infetadas. Uma comparação que dá para perceber a diferença entre a primeira vaga e esta que, desde o final do ano, tem apresentado valores até agora nunca atingidos.

Só nos últimos 15 dias, no concelho de Viseu, registaram-se perto de 1000 novos casos. Sem querer assumir que foi o período do Natal e Ano Novo a consequência dos aumentos, as autoridades de saúde demonstram que os picos foram atingidos a 31 de dezembro (148) de 2020 e 5 de janeiro (149). As infeções nos lares tiveram um grande aumento, mas, segundo a mesma fonte, a transmissão comunitária está numa “situação muito complexa”. Uma transmissão que se está a acusar na pressão a que está sujeito o Hospital de Viseu, que já começou a enviar doentes para fora do distrito, e no apelo às entidades para encerramento de escolas.

Na região de Viseu, no mesmo período, foi reportada a existência de 3186 novos casos, com o norte do distrito a ser um “dos maiores problemas”, nomeadamente nos contágios na comunidade.

Neste momento, em que o Governo voltou a proibir a circulação entre concelhos e obriga ao recolher obrigatório a partir das 13h00 neste sábado e domingo, a região de Viseu está com cerca 840 casos por 100 mil habitantes.

A pandemia já provocou, ainda na região de Viseu, 210 mortes associadas à doença.

A nível nacional, nos primeiros 10 meses da pandemia da Covid-19 morreram mais 11.736 pessoas em Portugal do que seria esperado nesse período, um “excesso de mortalidade de 13,6%”, anunciou a Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP).

Entre 16 de março de 2020, quando foi notificada a primeira morte por covid-19, e 31 de dezembro, “registaram-se mais 11.736 óbitos devido a causas naturais do que aqueles que seriam de esperar, com base na mortalidade média dos últimos cinco anos”, revelam os investigadores do barómetro covid-19 da ENSP da Universidade Nova de Lisboa.

Segundo o mesmo estudo, dessas 11.736 mortes, 59% (6.906) deveram-se à covid-19, enquanto que 41% (4.830) resultaram de causas naturais, a que os investigadores chamam de “mortalidade colateral”.

A mortalidade colateral foi calculada através da diferença entre o número de mortes registadas por dia em 2020 e a média de óbitos para esse mesmo dia nos últimos cinco anos, excluindo os óbitos por covid-19 para esse mesmo dia.

Em 2020 registaram-se cerca de 123 mil mortes no país, mais 10 mil do que em 2018, ano em que se registaram mais óbitos nos últimos cinco anos, um aumento que o estudo atribui ao “impacto direto e indireto da pandemia”. 

O estudo indica ainda que a mortalidade colateral foi maior em julho e setembro, mas diminuiu ao longo de 2020, “possivelmente devido aos esforços do Serviço Nacional de Saúde para recuperar o nível do atendimento aos utentes não covid-19”.

Em dezembro, mês em que não se registou um excesso de mortalidade em relação a anos anteriores, verificou-se um “registo extremamente baixo de óbitos atribuídos à gripe”, refere o estudo, que considera ser possível que muitos “destes óbitos esperados por gripe tenham sido este ano atribuídos à covid-19”.

A ENSP salienta que, entre 02 de março e 31 de dezembro, a covid-19 apresentou uma letalidade de 1,7% em Portugal, mais baixa do que a verificada na Europa (2,3%) e no mundo (2,2%).

“Esta letalidade aparece como próxima à da gripe espanhola, no ano de 1918, em que se estimou uma letalidade mundial acima dos 2,5%”, considera o ENSP, ao salientar que a covid-19 “exerce uma forte pressão sobre os recursos humanos e técnicos dos sistemas de saúde”.

“Como é impossível aumentar a oferta destes recursos de forma proporcional ao crescimento da procura, doentes com outras patologias acabam por ver adiadas, por vezes `sine die´, as suas consultas, exames, internamentos e cirurgias programadas. É razoável deduzir que o atraso ou falta desses cuidados possa ter tido impacto na saúde e sobrevivência desses doentes”, sublinham os investigadores.

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 1.899.936 mortos resultantes de mais de 88 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 7.590 pessoas dos 466.709 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

 

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