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Direção da Associação de Paralisia Celebral de Viseu ameaça fechar lar

Edição de 15 de março de 2019
15-03-2019
 

“O lar não dispões das condições mínimas previstas na lei!”, acusa o próprio presidente da direção da Associação de Paralisia Cerebral de Viseu, ameaçando que “no dia em que haja uma fiscalização, eu próprio entregarei a chave à Segurança Social”. José Vieira lembra que o lar “é indispensável” para jovens “sem retaguarda familiar” e que é “obrigação do Estado” financiar “toda e qualquer intervenção”. “As instituições particulares existem para complementar o Estado. Fazem serviço social, vivem com os apoios do Estado e da sociedade civil”, frisa.

O presidente da APCV lamenta ainda não ter apoio para a construção de uma unidade residencial que substitua a valência construída na década de 80, com capacidade para 16 pessoas, mas que se encontra “obsoleta” sem “o mínimo de condições para os utentes”. “Os quartos são todos de duas camas, onde não entra uma cadeira de rodas. O lar não tem equipamento de banho assistido, nem as condições mínimas para a circulação de cadeiras de rodas elétricas”, denuncia José Vieira.

O novo lar daria “a possibilidade de reverter os quartos, para os pais puderem ficar com os seus filhos até ao fim de vida, mantendo a família unida”, quando já não tivessem capacidades para serem cuidadores.

Em relação à edificação desta nova unidade residencial, “basta que o Estado abra uma linha de financiamento”. “Em 2018 andámos a bater de porta em porta e não conseguimos a linha de financiamento. Fomos ao Ministério do Trabalho e da Segurança Social, e à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC) e foi-nos dito que não havia possibilidade porque era um lar para pessoas com deficiência. Foram estas as portas onde andámos por indicações do Governo e da ministra da Presidência. O que é certo é que até agora ainda não conseguimos nada”, lastima.

O lar, da década de 80, foi construído a pensar nas famílias que viessem com os seus filhos, durante um ou dois dias, a precisar de reabilitação (fisioterapia, terapia ocupacional, da fala e psicologia). Mas, “pelas necessidades” e o encaminhamento que a Segurança Social fez de carências de famílias transformou-se, rapidamente, num lar residencial”.

O presidente revelou, ainda, que tem à sua tutela oito jovens e que o Governo tem a obrigação de resolver esta situação. “À luz da lei em vigor, se houver uma inspeção, estamos sujeitos a coimas. Nesse momento, entrego a chave e a Segurança Social que resolva e tome a responsabilidade destes jovens”, conclui.

Até ao fecho da edição impressa, não foi possível obter nenhum esclarecimento por parte da Segurança Social.





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