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Direita fala em “enviesamento demagógico” sobre museu dedicado a Salazar

12-09-2019
 

O PSD e o CDS-PP acusaram esta quinta-feira (12 de setembro) o PCP de “enviesamento demagógico” e de “agitar fantasmas” no voto de condenação que os comunistas apresentaram sobre a criação de um museu sobre Salazar e o Estado Novo.

Na quarta-feira (dia 11), o Parlamento condenou a criação de um museu dedicado a Salazar em Santa Comba Dão, terra natal do ditador, aprovando um voto do PCP que classificou esta ideia como uma “afronta à democracia”, com abstenções do PSD e CDS-PP, e votos favoráveis de PS, BE, PCP e PEV.

Esta posição surge após a Câmara de Santa Comba Dão ter anunciado a intenção do município criar um Centro Interpretativo do Estado Novo, em parceria com outras entidades regionais e incluído numa rede ligada à História e Memória Política.

“O Grupo Parlamentar do PSD não se revê no aproveitamento político que várias forças partidárias têm feito deste caso, nem subscreve o enviesamento demagógico patente no voto de condenação do PCP”, afirmam os sociais-democratas na declaração de voto apresentada para justificar a abstenção.

Ainda assim, a bancada do PSD salienta que esta declaração “não encerra, de per si, uma posição de princípio do PSD relativamente a este projeto em concreto, para a qual necessita de uma informação mais detalhada e profunda”.

Na mesma linha, o CDS-PP, na declaração de voto da bancada que também entregou no Parlamento, justificou a abstenção por considerar que “se, em nenhuma circunstância concorda com qualquer tipo de idolatria do Estado Novo, ou de qualquer ditadura, também não vê necessidade de proibição de um Centro Interpretativo do mesmo”.

“O referido voto parece assim, em larga medida, uma tentativa de agitar fantasmas, com intuito político por parte do partido proponente, que poderá não ter correspondência na intenção da autarquia de Santa Comba Dão”, alertam os democratas-cristãos.

Os deputados centristas acrescentam que “a iniciativa em causa não tem na sua origem nada que ver com o CDS-PP” e defendem que se algum partido com assento parlamentar “tem um histórico de adesão e de defesa de conceções totalitárias é precisamente o PCP”.

Já os sociais-democratas salientam que a sua bancada defende “o princípio de que o conhecimento - quando rigoroso, isento e avalizado - é sempre, e em qualquer circunstância, preferível à ignorância”.

Os deputados do PSD salientam que as declarações e explicações públicas do promotor do “referido Centro Interpretativo do Estado Novo” têm sido sempre no sentido de “rejeitar a intenção de criar um Museu Salazar, com tudo o que um projeto dessa natureza poderia encerrar em termos laudatórios ou apologéticos de uma personalidade ou de uma ideologia”.

“O objetivo primeiro da sua criação prende-se com a defesa e promoção dos territórios de baixa densidade – uma causa pela qual o PSD sempre se tem batido”, acrescentam ainda.

Segundo o texto da bancada comunista, aprovado na quarta-feira pela maioria dos deputados, a criação de “um ‘museu’ dedicado à memória do ditador António Oliveira Salazar em Santa Comba Dão” é “uma afronta à democracia, aos valores democráticos” e uma “ofensa à memória das vítimas da ditadura”.

Através deste voto, o Parlamento apela aos promotores da criação do museu para que “reconsiderem a sua posição” e a todas as “entidades, públicas e privadas, para que não apoiem, direta ou indiretamente, essa iniciativa”.

 





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