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Encerrada petição contra museu Salazar em Santa Comba Dão

 

Joana Lopes

Promotora de petição contra museu Salazar


 

Joana Lopes não está agradada com a ideia do Centro Interpretativo do Estado Novo


28-08-2019
 

Já não está disponível a petição contra a criação de um museu dedicado a António de Oliveira Salazar, em Santa Comba Dão. O abaixo-assinado que corria na Internet foi suspenso depois de ter sido subscrito por mais de 17.700 pessoas.

Subscrita por personalidades como o analista político Pedro Adão e Silva e pela escritora Maria Teresa Horta, a petição foi promovida contra o museu por se acreditar que o espaço se iria tornar “um centro de romagem para os saudosistas do regime derrubado com o 25 de Abril".

Em nome próprio e da memória de milhares de vítimas do salazarismo, os promotores do abaixo-assinado, que tinham como objetivo fazer chegar ao primeiro-ministro António Costa o seu repúdio, manifestavam o mais veemente repúdio pela criação do museu e apelavam ao Governo para que interviesse no sentido de impedir a concretização de um tal projecto que consideravam ser um instrumento ao serviço do branqueamento do regime fascista.

Joana Lopes, uma das promotoras da petição, explicou ao Jornal do Centro porque foi retirado o abaixo-assinado. “Achamos que, com as assinaturas destas 18 mil pessoas, não justificava continuar. A nossa ideia nunca foi competir para mostrar que era uma multidão sem limites. Com as assinaturas, achamos que era o suficiente e também porque as obras estão para começar e a nossa ideia era que houvesse uma intervenção tão urgente quanto possível”, justificou.

Nem mesmo as garantias da Câmara de Santa Comba Dão que diz que em causa está um Centro Interpretativo do Estado Novo e não um museu dedicado à figura de Salazar sossegam os antifascistas. “Pode-se pôr as etiquetas que quiserem, mas não há qualquer razão para ser em Santa Comba Dão. O Estado Novo não pertence a Santa Comba Dão. É para estar ao pé da campa do Salazar ou da casinha onde ele nasceu, que a decisão tem a ver com o nome”, disse Joana Lopes.

Está previsto que o Centro Interpretativo do Estado Novo fique instalado na Escola Cantina Salazar, que vai ser requalificada. As obras estão orçadas em 150 mil euros e devem estar concluídas até ao final do ano. Joana Lopes questionou mesmo a necessidade de existir um espaço deste género naquele local.

Joana Lopes disse ainda que o projeto é absurdo e duvida que este seja uma boa aposta em termos turísticos, e lembrou ainda que esta ideia já foi travada no passado por causa da contestação de que foi alvo.

Mais de 10 mil pessoas são a favor do museu Salazar

Já a favor do museu, circula ainda um outro abaixo-assinado e que já foi subscrito por mais de 10.300 pessoas. A petição exige que "a memória histórica de um povo não pode ser apagada porque um minoria ruidosa assim o exige". Os subscritores dizem ainda que não aceitam "que aqueles que evocam constantemente o valor da liberdade se revelem inimigos dessa mesma liberdade quando ela não vai de encontro aos seus interesses".

Entretanto, a Câmara de Santa Comba Dão veio a público esclarecer que nunca teve intenção de criar um museu dedicado a Salazar, mas sim um Centro Interpretativo do Estado Novo, que surge incluído numa rede ligada à História e Memória Política do século passado.

O projecto vai avançar ainda este mês, estando previsto que o centro seja instalado na Escola Cantina Salazar, que vai ser requalificada. As obras estão orçadas em 150 mil euros e devem estar concluídas até ao final do ano.





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