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Fábrica têxtil de Mangualde arrisca fechar portas por causa do coronavírus

por Redação

26 de Março de 2020, 10:03

Foto Arquivo Jornal do Centro

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A fábrica têxtil Mazur, em Mangualde, está em risco de fechar alegando falta de encomendas, motivada pela Covid-19. Uma decisão que, segundo o PCP, é uma oportunidade para a administração, uma vez que a situação da empresa tem sido inconstante nos últimos anos.

No entanto, o comunista António Vilarigues explica que, desde fevereiro deste ano, têm ocorrido vários acontecimentos que, segundo o partido, podem estar relacionados com a vontade da administração encerrar da fábrica.

“No final do mês de fevereiro, só pagou metade do salário. A 13 de março, a empresa foi assaltada de uma forma rocambolesca, porque foram roubados cerca de 1.500 casacos. Estranhamente, apesar do roubo, as trabalhadoras tiveram de fazer as golas de pelo que faltavam para aplicar nos casacos. No dia 19, elas receberam uma carta que dizia que a empresa iria suspender temporariamente a atividade, ficando dispensadas de comparecer ao serviço, sem perda de regalias e direitos”, afirma.

Ao mesmo tempo, acrescenta António Vilarigues, as funcionárias da Mazur foram também informadas que as máquinas eram emprestadas e estavam a ser devolvidas pela empresa, ficando sem condições para laborar, “a não ser que as trabalhadoras tragam as máquinas de costura de casa ou os patrões peçam novamente emprestadas as máquinas”.

“Estamos perante uma fuga ao pagamento aos trabalhadores, pelo eventual encerramento da empresa”, lamenta. António Vilarigues acrescenta que a crise motivada pelo novo coronavírus está a levar empresas a justificar o não cumprimento com os funcionários.

“Está-se a verificar, de uma forma miserável, que alguns patrões estejam dispostos a tudo para espezinhar os direitos dos trabalhadores, aproveitando alguns decretos confusos do Governo e fazendo encenações manhosas deste tipo”, acusa acrescentando que a Mazur nunca cumprir as normas de higiene e segurança no trabalho. Um caso que, diz, não é único em Mangualde e no distrito de Viseu. O PCP vai questionar o governo sobre a situação e pedir a intervenção da Autoridade das Condições de Trabalho.

O caso da Mazur já chegou também ao Sindicato dos Trabalhadores do Sector Têxtil da Beira Alta. Carlos João, o presidente, diz estar a acompanhar a situação. “Por um lado, [as trabalhadoras] ficaram contentes com a suspensão do trabalho porque evitaram o contágio, mas também vieram preocupadas porque não lhes garante o futuro. Com certeza, a empresa irá dar resposta para trabalharem ou para virem para casa, a título definitivo”, afirma.

O sindicalista aponta ainda para o facto de as empresas estarem a aproveitar os decretos aprovados pelo Governo, nomeadamente o “lay-off” simplificado, e também para o facto de o têxtil ser um dos setores mais afetados pela pandemia do novo coronavírus. “Há empresários que aproveitam esta oportunidade para fechar e nunca mais voltar a abrir”, remata.

O Jornal do Centro contactou a Mazur, mas sem sucesso.

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