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Grande incêndio de S. Pedro do Sul em 2016 foi combatido por comandantes ilegais

S. Pedro do Sul, incêndio, bombeiros, inquérito
12-03-2018
 

Falhas graves, falta de coordenação e comandantes ilegais. Foram estas as principais conclusões que a Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) apurou no inquérito que realizou sobre o grande incêndio que afetou S. Pedro do Sul em agosto de 2016.

O documento já foi remetido ao Ministério Público pelo ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, que já exigiu à Autoridade Nacional de Proteção Civil que corrija as falhas apontadas no inquérito.

O relatório indica que o combate ao incêndio de há cerca de dois anos, que teve origem em Arouca e que consumiu mais de 20 mil hectares de área florestal, foi dirigido inicialmente por dois comandantes que não deviam ter dirigido os operacionais porque estavam no chamado “quadro de honra” dos Bombeiros Voluntários do concelho do distrito de Aveiro.

O quadro de honra significa que os comandantes já estavam na reserva e totalmente retirados do serviço por limite de idade ou porque tinham decidido afastar-se dos bombeiros. O documento do IGAI sublinha mesmo que a lei não permite a atuação dos comandantes de reserva no combate às chamas e na prestação de atividades de socorro.

A investigação conclui ainda que houve “meios insuficientes” e “falta de coordenação entre os Comandantes Distritais de Operações de Socorro de Aveiro e de Viseu”, o que levou a que os bombeiros das duas regiões “não tivessem a perceção de que os incêndios de Arouca e de São Pedro do Sul eram um só”. Apesar das conclusões do relatório, os dois comandantes que lideraram as operações de combate não tiveram processos disciplinares porque saíram das suas funções em janeiro de 2017.

Face a estas constatações do IGAI, o ministro Eduardo Cabrita já determinou o envio do inquérito para averiguação de eventual matéria criminal e pediu “mais coordenação intermunicipal, distrital, regional e nacional”, bem como “articulação” nas decisões sobre o reforço de meios e a “garantia de existência de um comando operacional efetivo”.





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