08 Jul
Viseu

Região

Há alunos e professores sem computador e Internet

por Redação

14 de Abril de 2020, 10:49

Foto Arquivo Jornal do Centro

Terceiro período arranca com aulas à distância e telescola na região

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O terceiro período do ano letivo arrancou esta terça-feira (14 de abril), à distância. Professores e alunos mantém-se em contacto pela Internet e, a partir do dia 20 deste mês, há aulas com recurso à telescola.

No Agrupamento de Escolas de Mangualde, está tudo preparado para que todos os alunos consigam acompanhar as aulas. No entanto, o diretor Agnelo Figueiredo realça ao Jornal do Centro que nem todos têm condições.

“Vamos ter, em média, 50 por cento de aulas em videoconferência e outros 50 por cento de trabalho autónomo dos alunos no horário em que eles definem e em que os professores estejam disponíveis para os atender. A generalidade dos alunos tem equipamentos para poderem acompanhar as aulas, mas temos cerca de 10 por cento que não têm essas condições”, explica.

Para estes alunos que não têm equipamentos, o Agrupamento de Escolas de Mangualde já articulou com a Câmara local, as juntas de freguesia e a Associação de Pais para fornecerem materiais noutros suportes, “nomeadamente em papel”. “É desta forma que tentaremos anular a desigualdade que esta situação acarreta”, garante Agnelo Figueiredo.

Sobre as aulas através da televisão, o diretor diz ainda ter poucas informações e admite não saber se elas vão encaixar dentro da planificação da escola.

“Vamos manter os horários, mas vamos ter em atenção para não haver sobreposições com os conteúdos televisionados. Em horas em que haja programas de televisão para um determinado ano, nós não temos aulas em videoconferência, o que permite que os alunos os vejam e são depois explorados noutras aulas se os professores entenderem. Os conteúdos televisionados são uma incógnita”, refere Agnelo Figueiredo.

Em Vouzela, meia centena de alunos não têm computador para ter aulas no chamado ensino à distância, revela Raquel Ferreira, diretora do Agrupamento de Escolas da vila.

“Verificamos que há alguns que têm computadores, mas que depois são precisos para os irmãos. Alguns têm horários coincidentes. Os pais estão em teletrabalho e é complicado. No segundo ciclo, temos 13 alunos que não têm realmente computadores. No primeiro ciclo, é maior o universo: cerca de 40 alunos não têm computador e alguns não têm sequer Internet”, explica.

A responsável diz que já garantiu aos pais que o agrupamento está disponível para imprimir os trabalhos. “Estão lá funcionários ou eventualmente professores. Se estes não estiverem na escola, estão em casa a dar aulas à distância”, refere.

Segundo Raquel Ferreira, houve casos de famílias que tiveram de comprar computadores e há também quem tenha equipamentos emprestados ou oferecidos. A diretora considera que a pandemia veio acentuar as diferenças entre alunos, prejudicando os estudantes com menos posses.

“Isto é uma discriminação e é penalizador para os alunos mais carenciados, mas temos de avançar. De qualquer maneira, vai ser complicado para estes alunos, mas temos de avançar com os que têm, que são felizmente a maioria. Aos outros, estamos a ver se conseguimos comprar alguns computadores ou ceder aqueles que tínhamos da altura do Magalhães, para não ficarem discriminados”, remata acrescentando que este vai ser um terceiro período complicado.

 

Professores também não têm meios

Entre os professores reina a vontade de voltar ao trabalho, mas há algumas dificuldades, como a falta de meios dos alunos para as lições não presenciais. Há estudantes sem meios para o ensino à distância, mas também professores, lembra Francisco Almeida, do Sindicato dos Professores da Região Centro.

“É provável que haja professores que usavam os meios informáticos das escolas e que não tinham computadores ou tinham computadores que não têm microfones ou câmaras de vídeo. Eram computadores de secretária que permitiam aos professores trabalhar e fazer as coisas necessárias, como testes e trabalhos, mas não permitiam a utilização de outras tecnologias”, refere acrescentando que a ligação à Internet é fraca em várias zonas do distrito de Viseu.

O sindicalista defende ainda que, neste terceiro período, não pode haver novas aprendizagens para que os alunos sem meios não saírem penalizados.

“Isso é impossível e nem é razoável, porque havia alunos que ficavam para trás e não conseguiam acompanhar. Não tinham meios nem condições e não é por serem mais ou menos inteligentes do que outros. O país não é igual, as pessoas não vivem todas da mesma maneira e, portanto, o terceiro período será o que é possível e trabalhar nas matérias que já foram abordadas. Este será um período excecional”, remata Francisco Almeida.

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