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Hospital de Viseu deve um milhão de euros de água devido a erro da Câmara

por Redação

06 de Fevereiro de 2020, 16:29

Foto Arquivo Jornal do Centro

Problema nas leituras de água prolongou-se durante 20 anos

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Baila Antunes, vereador do PS na Câmara de Viseu

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Baila Antunes diz que o problema, com 20 anos, só foi descoberto há pouco tempo

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Baila Antunes lamenta que a Câmara avance com processos disciplinares aos que fizeram a leitura da água

Os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) de Viseu andaram cerca de 20 anos a fazer leituras erradas do consumo de água do Hospital de S. Teotónio.

O caso foi conhecido esta quinta-feira (6 de fevereiro), através dos vereadores do PS na autarquia viseense. Segundo o socialista Baila Antunes, o Hospital de Viseu está a dever agora cerca de um milhão de euros à Câmara por um erro dos SMAS, que não fizeram bem as leituras.

“Durante mais de 20 anos, o Centro Hospitalar Tondela-Viseu pagou um décimo da água que consumia. Houve aqui um erro muito grosseiro nos consumos de água. Isto são erros de toda uma cadeia de colaboradores, técnicos e até responsabilização política que não funcionou, o que é inadmissível”, disse o vereador.

Baila Antunes revelou ainda que o problema com duas décadas, na altura em que foi aberto o novo Hospital, foi descoberto há pouco tempo através do sistema de telegestão, “que já está instalado há bastante tempo”.

“Foi instalado um contador igual aos outros na interface, mas que é de maior diâmetro porque o Hospital tem muito consumo. Estava lá dez vezes na contagem de água. Os leitores cobrados iam lá e não multiplicavam por dez, mas também as chefias não registaram isso. Por outro lado, sempre que era aferido ao longo dos anos, ninguém detetou nada. É ridículo o consumo estar baixo”, disse.

Baila Antunes criticou ainda a Câmara por ter abertos processos disciplinares a quem faz a leitura dos contadores e disse mesmo que a autarquia comete uma “gafe que era fácil de ter sido controlada” perante aquele que é o maior consumidor de água da cidade.

“Quando o Centro Hospitalar consumia menos do que o Hospital Psiquiátrico, logo aí era facilmente detetado. Houve aqui uma incúria muito grande. Agora, estão a culpar os assistentes operacionais que faziam a leitura. Eles nunca tiveram informação nem formação e os chefes nunca deram conta. Passam por lá canalizadores e aferidores, aquilo avariou e ninguém deu conta. Agora, viram a incongruência entre o que a telegestão diz e o que era cobrado”, afirmou.

O baixo consumo do Hospital de S. Teotónio chegou a ser apontado como um exemplo de boa gestão no consumo de água no país.

Contactada, a Câmara de Viseu confirmou a existência de leituras erradas na água do S. Teotónio e explicou que, logo que foi detetado o problema, foi aberto um inquérito interno. A autarquia já pediu uma audiência ao Hospital e à ministra da Saúde para resolver esta situação e pondera avançar para a Justiça caso a tutela não pague a dívida de água.

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