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Dois meses depois da tragédia, reina a paz em Lalim

por Redação

19 de setembro de 2020, 08:30

Foto Arquivo Jornal do Centro

‘Caça ao homem’ durou 23 dias

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Dois meses depois de Henrique Carvalho ter morto, a tiro, a ex-mulher e ferido a amiga, reina a paz em Lalim, no concelho de Lamego. A família e a amiga, já livre de perigo, respiram de alívio e o filho mais velho regressou a casa. O pai tinha-o ameaçado de morte por ter tomado o partido da mãe na separação do casal originada por múltiplos episódios de violência doméstica.

Ana Maria Melo, de 56 anos, foi assassinada a tiro, eram oito e meia da manhã, quando ela e uma amiga estavam a caminho do local de trabalho, uma fábrica de fumeiros. 

Existiam processos judiciais por violência doméstica - Henrique tinha sido condenado este ano a uma pena suspensa - e Ana Maria Melo era tratada como uma vítima, dispondo do botão de pânico. Mas na sexta-feira, dia 14, não houve hipótese de acionar a teleassistência.

O principal suspeito sempre foi o ex-marido da vítima, que fugiu a monte

O casal estava separado há um ano e tinha dois filhos, já adultos. A mulher, que foi atingida com oito tiros, sofria de violência doméstica recorrente. Mas, disseram, na altura, populares, nada fazia prever este crime.

“Eu vinha tomar o meu cafezinho e fiquei chocada. Não previa isto. Ainda ontem [quinta-feira, dia 13], ele estava ali. Não previa nada disto. Estou muito triste”, confessou ao Jornal do Centro uma prima da vítima, no dia do crime.

Já o irmão da amiga da vítima, José Carvalho, afirmou que o suspeito “não se dava com ninguém”. “Ele era um bocado manhoso. Pouca gente falava para ele. Era muito fechado. Não faço ideia dos motivos”, disse.

Sobre a situação da irmã, José Carvalho adiantou que esta levou nove pontos numa das mãos. A perna, onde ela sofreu ferimentos, está estável.

Já uma outra habitante da aldeia, Maria do Céu Silva, tinha uma opinião contrária sobre o suspeito. “Era uma pessoa muito pacata. Nunca fez mal a ninguém e nunca ouvi que se metesse com alguém, a não ser isto [homicídio]. Até fiquei parva”, disse.

Maria da Fátima Almeida contou ter ouvido os tiros e os gritos. “Estava na casa do meu irmão e senti uns tiros e uns gritos. Depois, cheguei ao rio, mas senti na mesma os tiros e fui para trás, para o café. Foram vários tiros. Depois, apareceu o INEM e vi lá. Quando apareci ao pé da crime, já estava o INEM a dizer às pessoas para irem embora, mas ainda vi a senhora morta no chão com sangue. A outra estava na ambulância”, relatou.

Segundo esta popular, a vítima mortal era “muito boa educada e muito boa pessoa”. Já o alegado homicida era visto como “alguém que não era assim tão pacato”. “Ele andava toda a vida a ameaçar que ia fazer isto e aquilo, e afinal… Nunca pensei”, afirmou.

O caso ficou na alçada da Polícia Judiciária de Vila Real. As autoridades montaram uma operação de “caça ao homem” ao principal suspeito, que se manteve em fuga durante 23 dias. 

 

Henrique Carvalho foi encontrado morto 23 dias depois 

23 dias depois de uma intensa 'caça ao homem', o corpo acabou por ser encontrado, mas os indícios recolhidos pela Polícia Judiciária apontam no sentido que o homicida se tenha suicidado pouco tempo após cometer o homicídio.

O corpo de Henrique Carvalho foi descoberto por um sobrinho da ex-mulher numa zona florestal da freguesia de Lalim, a cerca de um quilómetro do local do crime. Um revólver foi encontrado junto ao cadáver. 

As autoridades procuravam o homem desde dia 14 de agosto, altura em que atingiu mortalmente a tiro a ex-mulher. Desde esse dia que os moradores daquela freguesia viviam em constante medo por não se saber do paradeiro do criminoso. 

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