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Líder da UGT defende combate à precariedade e aponta bom exemplo da indústria

03-04-2019
 

O secretário-geral da UGT, Carlos Silva, defendeu esta quarta-feira (3 de abril) o combate à precariedade nas áreas do comércio, da restauração e da hotelaria, seguindo o exemplo do que considera estar a acontecer na indústria.

“Estamos em crer que, no último ano e meio, há um esforço do setor privado em Portugal para contratar sem termo”, afirmou Carlos Silva à agência Lusa, em Tondela, no final de uma visita à Bodum, que fabrica artigos para uso doméstico.

Segundo o diretor-geral da fábrica, “a intenção da Bodum é não ter pessoas em contrato temporário”, o que Carlos Silva aplaudiu.

Criada na Dinamarca em 1944 e instalada em Tondela desde finais da década de 80, a Bodum tem 222 trabalhadores, cuja média etária é de 37 anos. Desde 2016, acolhe o centro logístico internacional da empresa, exportando para todo o mundo a partir deste concelho do distrito de Viseu.

Carlos Silva lamentou que se mantenha o hábito de contratar a termo em setores como o comércio, a restauração e a hotelaria, apesar de começar a haver menos sazonalidade no turismo.

“Há estudos impactantes da vida do país que revelam que já há turismo ao longo do ano. Nesse sentido, há contratos que se podem transformar em permanentes”, frisou, acrescentando que os sindicatos terão de trabalhar junto com as empresas desses setores para combaterem a precariedade.

Já na indústria, “há um sentimento transversal à generalidade das empresas”, que consideram que “a contratação muito precária não permite a eficiência e a eficácia” no trabalho.

“Entra um trabalhador e sai daqui a 15 dias, três semanas, um mês. Este entrar e sair baixa os níveis de produtividade, levanta problemas de eficiência à empresa”, sublinhou.

Por outro lado, acrescentou, a contratação temporária exige à empresa “andar sempre a dar formação”.

“Que interesse tem isto para uma empresa que quer consolidar os seus resultados e manter um acento tónico na formação e na qualificação dos trabalhadores?”, questionou.

Na Bodum, Carlos Silva encontrou trabalhadores que se qualificaram na empresa ou já entraram qualificados e também aqueles que ascenderam da produção para áreas técnicas, através de concursos internos.

“Isso é muito importante do ponto de vista empresarial, porque permite consolidar a produção, a qualidade exportadora e manter o nível de exigência, sobretudo para quem exporta para clientes como Walmart ou Starbucks”, frisou.

A visita de Carlos Silva à Bodum realizou-se a convite do Sindicato da Indústria e da Energia (Sindel).

“Percebemos que a Bodum é um exemplo de boas práticas, corroborado pelo nosso sindicato, que tem uma taxa de sindicalização que ultrapassa aquilo que nós temos informação de que é o setor privado”, com 46 trabalhadores sindicalizados, contou.

O secretário-geral da UGT frisou que este exemplo de boas práticas se situa no interior do país, numa zona que têm várias empresas que “criam muitos postos de trabalho e fixam pessoas”, sobretudo jovens.

“A média de idades desta empresa é de 37 anos. Estes jovens vivem nesta região, constituíram família, fixaram-se”, referiu.

Na sua opinião, este exemplo precisa de ser “exportado para outra regiões de Portugal, também do interior pobre, sobretudo o Pinhal Interior Norte, que necessita muito deste investimento empresarial”.





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