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Mais fácil deixar a escola ou voltar a ela? Na segunda-feira logo se vê

por Redação

16 de Maio de 2020, 08:00

Foto Arquivo Jornal do Centro

Há espaços proibidos, circuitos obrigatórios, o distanciamento é uma ordem e a higiene fulcral. É assim a escola dos novos tempos

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No chão as marcas indicam por onde é que os alunos têm de andar. Só em determinados espaços é que podem estar. Longe uns dos outros e lavar sempre, sempre as mãos. Na cara, é obrigatória a máscara. Parecem normas de outras épocas, mas a partir de segunda-feira (18 de maio) é assim que os alunos do 11.º e 12.º anos devem comportar-se. É o regresso à escola, depois de terem sido obrigados a sair dela em março por causa da pandemia causada pela Covid-19.

Agora, é uma “nova realidade” aquela que alunos, professores e auxiliares vão encontrar. Primeiro tiveram de se “afeiçoar” ao ensino à distância, agora vão ter de se “adaptar” à reabertura. E para isso acontecer a última semana já foi de grande azáfama nos estabelecimentos de ensino. Limpar, desinfetar, criar circuitos, recolocar mesas, fechar espaços e colocar avisos e mais avisos.

Na Escola Secundária Viriato, os últimos dias foram intensos. Desde as formações, nomeadamente sobre equipamentos de proteção individual, limpeza e desinfeção com o Regimento de Infantaria 14, até a colocação de barreiras. Tudo foi feito e revisto.

Neste estabelecimento de ensino, são três os blocos que vão estar a funcionar. “Selecionámos as salas que nos davam garantias de ter o espaço para o distanciamento entre os alunos. São três por pavilhão”, explica Pedro Ribeiro, diretor da Escola. As turmas estão distribuídas pelos três pavilhões e com os horários de manhã e de tarde, o que faz com que “o número de alunos ao mesmo tempo na escola seja diminuto”.

No refeitório estão espalhadas micro-ondas para quem optar por levar comida de casa. A regra mantém-se: sempre em distanciamento. O mesmo se passa na sala de informática, assim como na Biblioteca onde os livros requisitados, depois de utilizados também vão ficar em “quarentena”.

“As mesas estão em fila e com as devidas medidas de segurança. Os alunos entram por uma porta, têm o gel para desinfetar e logo dão de caras com avisos sobre as regras. Para sair usam outra porta. Também ali têm o gel e novamente os infográficos com as regras. O espaço é amplo”, assinala a professora Paixão Pinto.

Mas para entrarem para o recinto da escola, todos vão ter de passar pelo tapete desinfetante e usar a máscara. Quem não tiver, a escola fornece. “Já recebemos o material de proteção por parte do governo”, diz Pedro Ribeiro que lembra que dentro dos pavilhões, por exemplo, há escadas para subir e outras para descer.

Sem “furos” entre as aulas, a maior preocupação do diretor é o ajuntamento de alunos que pode acontecer por causa dos horários dos transpores. “Isso e a saudade do distanciamento... uma ou outra situação para a qual vamos ter de estar atentos”, assegura.

A partir de segunda-feira, a esta escola regressam 170 alunos, 24 professores e mais de 30 auxiliares técnicos e operacionais. Cada um dos professores vai abordar, de novo, com as turmas as normas de segurança. A primeira semana vai ser de readaptação, admite Pedro Ribeiro que ainda não sabe se o mais difícil vai ser este regresso se a interrupção em março em que foi necessário montar todo um sistema de ensino à distância e através dos meios tecnológicos. “Estamos cá para ver”, conclui. Pelo menos até 26 de junho.

 

As regras

São várias as recomendações que a tutela faz às escolas, para que a retoma das aulas seja feita de uma forma segura para evitar o risco de contágio pelo novo coronavírus.

Por exemplo, o Ministério da Educação recomenda que as escolas planeiam horários desfasados — colocando algumas turmas a ter aulas apenas de manhã e outras à tarde — e concentrem, sempre que possível, as aulas das diferentes disciplinas, de modo a reduzir os tempos de intervalo.

O funcionamento das atividades letivas deverá ser definido entre as 10h00 e as 17h00, evitando a concentração dos alunos, professores e funcionários não-docentes no recinto escolar.

Sobre a forma como as aulas devem decorrer, as salas de aula usadas deverão ser as mais amplas à disposição. Não deverá haver alunos virados de frente uns para os outros e cada aluno deverá estar sozinho na sua mesa. Quando for impossível respeitar o distanciamento mínimo, pelo tamanho das turmas ou das salas, as escolas podem optar por dividir as turmas em dois grupos.

O Governo também sugere a concentração, sempre que possível, do máximo de aulas de cada turma para minimizar o número de vezes que os alunos se tenham de deslocar à escola, ao longo da semana, e a instalação das turmas em salas distanciadas entre si. Os intervalos entre as aulas devem ter a menor duração possível, devendo os alunos permanecer, em regra, dentro da sala.

A tutela também recomenda o encerramento de serviços considerados não-essenciais à atividade letiva, como bares, salas de apoio e salas de convívio dos alunos, e a redução da lotação máxima das bibliotecas e salas de informática em um terço.


 

 

 

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