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Viseu

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Marcas no chão, percursos definidos, sala de isolamento, gel e máscaras: o que as escolas fazem para que o vírus falte às aulas

por Redação

16 de Setembro de 2020, 15:46

Foto Igor Ferreira

CLIPS ÁUDIO

A Covid-19 vai, de facto, mudar a forma como alunos e professores se vão mover e comportar nas escolas. Por agora, antes de todos chegarem aos estabelecimentos de ensino, é preciso afinar tudo. Uma equipa de reportagem do Jornal do Centro acompanhou os últimos preparativos na Escola Básica de Abraveses, em Viseu. Logo à entrada da escola há cartazes bem elucidativos: os cuidados, as recomendações, em resumo, com imagens sobre o que há a fazer. Numa mesa, nem um metro depois da porta, uma embalagem de gel desinfetante. À frente, a entrada que dá origem ao corredor que, ao fundo, tem a sala de isolamento. No interior da sala que será usada caso haja um caso suspeito de infeção por Covid19, há uma mesa com cadeiras. Tudo colocado junto a uma janela que permitirá manter o espaço isolado.

Ainda antes de chegarmos a essa sala, no chão são visíveis marcas que definem percursos. O corredor tem duas portas para o exterior. Lá fora, uma fita divide o recreio em duas partes para que não haja ajuntamentos de crianças. Voltando ao interior da escola, entramos numa das salas de aula. Há três blocos de mesas e cadeiras. Os dois laterais com duas cadeiras por mesa, o central tem as mesas intervaladas. A distância de segurança, garantem-nos, será mantida.

Uma das outras preocupações será a possível partilha de máscara. Gesto perigoso que os professores e os funcionários desta e de outras escolas vão tentar evitar. Nestas idades é mais do que comum serem partilhadas canetas, lápis ou até bonés. Passar a mensagem de que não se pode partilhar a máscara é fundamental nos próximos dias.

Assim como será importante definir horários e limitar a presença no refeitório. A solução passa por tabuleiros individuais com alimentos já colocados em embalagens, também elas individuais. Evita-se desta forma a fila e o colocar dos alimentos em pratos que poderiam representar focos de contaminação. Os alunos serão distribuídos em dois grupos: o primeiro e o terceiro anos, por exemplo têm de almoçar do meio dia e meia hora até à uma da tarde e, depois, o segundo e o quarto anos têm também meia hora para almoçar, logo depois do primeiro grupo abandonar os espaços. Há dois grandes caixotes do lixo ao fundo do refeitório para que ali sejam colocadas as embalagens de plástico.

Ainda com o reinício do ano no pensamento, a palavra de ordem, dizem-nos, é readaptar. Confessam-nos que nesta primeira fase vão colar os autocolantes no chão, mas que tudo pode ser alterado de acordo com a rotina dos estudantes. Se for mais fácil para eles de outra forma e se fizer sentido, altera-se. A rotina na escola, será definida por quem a frequenta.

Em cada estabelecimento de ensino do concelho há um termómetro especial para medir a febre. Chamam-lhe “termómetro pistola” porque é apontado à testa e permite, naquele momento, verificar logo a temperatura corporal do aluno, do professor ou do auxiliar. Sendo que a febre é um dos principais sintomas do novo coronavírus, é possível ali verificar se esse sintoma é cumprido. O registo da temperatura, esse, é proibido.

Na visita à Escola Básica de Abraveses esteve Cristina Brasete vereadora da Educação no município de Viseu. A autarca assegura que o executivo municipal tudo fez para que o pré-arranque de ano letivo corresse pelo melhor. “Os pais podem ficar tranquilos. As crianças vão estar seguras nas escolas. O vírus não está só dentro das escolas, infelizmente fica do lado de fora. É aí que tenho mais preocupação: quando chegarem às escolas, como chegam, como se movimentam até aqui chegarem. Porque nas escolas os espaços estão todos seguros. Estou convicta disso”, referiu a vereadora.

Neste arranque de ano escolar foi notícia a falta de, pelo menos, 100 funcionários nos estabelecimentos de ensino do concelho. Cristina Brasete confirma e vai mais longe, aludindo ao facto de o Ministério da Educação definir como obrigatória a presença de um funcionário escolar por cada 21 alunos. “Quando se pede para fazer turnos de almoço, quer dizer que vamos ter crianças que vão ter de ficar com um funcionário e outras com outro. Logo, não posso ter só um. O ministério da Educação deveria ter alterado a regra dos rácios. É esta falta de sensibilidade que está a deixar os pais angustiados”, refere a autarca, assegurando que o município vai colmatar a falta de funcionários escolares.

Presente nesta visita esteve igualmente Ana Carvalho, que é coordenadora da Escola Básica de Abraveses. “Quremos passar a ideia de segurança aos pais e às crianças. Estamos receosos porque a situação atual não é fácil, mas acreditamos que vai correr bem e agilizámos tudo para que corra bem”, revela. A palavra é readaptar, confessa. “Vão haver percursos que não vão correr tão bem e vamos ter de os reformular”, refere Ana Carvalho.

A insegurança que se vive atualmente, até com o recente aumento de casos de infeção, chega, sobretudo aos pais. Alguns encarregados de educação temem que, com o tempo de inverno, os seus filhos se concentrem em espaços cobertos sem haver espaço ao distanciamento. Na escola, pede-se que a mensagem da prevenção passe em casa, também.  “Apelamos sobretudo ao bom senso deles. Vamos minimizar a estada dos meninos na escola. Tentar passar aos pais que, sem a ajuda deles, isto não vai funcionar. Os meninos vêm da rua, tem que haver um conjunto de procedimentos em casa para que se verifique o sucesso que pretendemos que é o de minimizar a transmissão do vírus”, descreve a professora. Ana Carvalho acredita que os mais novos vão conseguir perceber e cumprir as regras.

Nesta escola há 80 alunos dos 6 aos 10 anos divididos em quatro turmas. Dentro de horas vai soar o toque de entrada. Todos esperam que ali só entrem alunos, professores e funcionários. O vírus, esperam, vai faltar às aulas.

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