A OUVIR 98.9 FM
           00:00:00 | 00:00:00        
      
  
 
        

Mescla: o festival que veio para ficar

Edição de 12 de julho de 2019
12-07-2019
 

Sete dias e 100 mil visitantes. Estes são os números que representam a primeira edição do Mescla, o novo festival cultural multidisciplinar em Viseu, que promete regressar nos próximos anos após um balanço “largamente positivo” por parte do município, a Viseu Marca e Viseu Novo SRU (Sociedade de Reabilitação Urbana).

“O Mescla adquiriu uma identidade diferenciadora de programação e intervenção no Centro Histórico e conseguiu um forte e inédito envolvimento de artistas e companhias locais”, sublinhou o presidente da Câmara Municipal de Viseu, Almeida Henriques.

Para o vereador da Cultura, Jorge Sobrado, o Mescla “conquistou viseenses, visitantes e sobretudo o coração das pessoas. A adesão entusiasta à programação, à proposta do roteiro no centro histórico, às instalações de luz... estamos muito felizes com os primeiros resultados e as evidências do impacto do festival”, afirmou. “O Mescla assumirá, e este também o assumiu, nos próximos anos, a vocação de ser uma montra das artes ‘made in Viseu’ e dos talentos consolidados e emergentes”, sustentou.

Ao longo de uma semana o centro histórico acolheu inúmeras propostas artísticas que desafiaram o público a descobrir a zona da Sé. Da música à escultura urbana, do teatro ao novo circo, da literatura às artes plásticas, todas as expressões tiveram espaço para “pisar o palco”.

O festival irá regressar em 2020, mas segundo Almeida Henriques será mais curto. “Se começar a uma quarta ou quinta e acabar num domingo estará num equilíbrio”, disse. Ainda assim, pretende que “os vários agentes culturais da cidade e da região tenham oportunidade de programar e trabalhar em conjunto para produzir uma semana virada para um público mais familiar como o que cá esteve”, referiu.

O impacto no público e negócios

De forma geral, o Mescla teve um efeito positivo nos visitantes, mas as semelhanças ou comparações aos Jardins Efémeros acabaram por ser feitas.

Para Pedro Santos, a iniciativa resultou bem. “Veio substituir algo que já acontecia. Tem uma programação bastante diversa e muitas pessoas cá de Viseu a participar, o que é sempre bom. Eventualmente, a organização podia melhorar alguns aspetos. Há muita coisa a acontecer ao mesmo tempo. Está mesclado demais. Mas acho que numa segunda edição é capaz de resultar melhor”, afirmou. Apesar de não pensar que o Mescla substituiu o espaço dos Jardins Efémeros, considera que é possível os dois existirem. “Trazem coisas diferentes e são ambas boas iniciativas”, sustentou.

Elisa Toste, outra visitante, disse ter gostado do festival. Destacou o concerto de Noiserv e o Mini Mozart. Acredita que o Mescla e os Jardins Efémeros “não são completamente diferentes, mas podem coexistir” porque um não substitui o outro.

No que toca aos negócios, as opiniões são inconstantes. Segundo Nuno Amaral, proprietário do Tito’s Bar, o evento foi “muito fraco”. “Má organização, uma colagem aos Jardins e com poucas opções para as pessoas durante o evento. Os concertos sempre nos mesmos sítios é uma critica que já foi feita à Câmara e continua a ser. Não cabe na cabeça de ninguém a maior praça do centro histórico [Praça D. Duarte] não ter tido nenhum concerto durante a noite”, fincou. Assim, o balanço não foi positivo.

Já para Mónica Lopes, da Tasca Chic, o Mescla trouxe dinamismo à zona histórica. “Beneficia-nos a todos com certeza. Na restauração viu-se uma afluência, muito mais pessoas. Andavam animadas, divertiram-se, passearam e pararam para ver espetáculos”, afirmou.

Outro proprietário de um estabelecimento disse que o lucro obtido foi “igual a um dia de verão”. “Foi normal, como se estivesse um dia de bom tempo à exceção de sexta-feira e sábado que se mexeu mais um bocado”, frisou.

O Mescla, para João Carvalho, do restaurante Colmeia, “foi bom para a restauração porque isto ajuda todo o tipo de negócios”. No entanto, afirma que “ficou um pouco aquém da realidade dos Jardins Efémeros”, que eram organizados há uma série de anos. “Os públicos também são diferentes, portanto o f luxo no estabelecimento foi menor”, quando comparados aos dias em que se realizavam os Jardins.





  • 2002 - 2019 - Jornal do Centro é uma marca registada da Legenda Transparente, lda
  • Desenvolvido por: WLC.PT