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Morreu o capitão de Abril Diamantino Gertrudes da Silva

Capitão de Abril, Diamantino Gertrudes da Silva
10-10-2018
 

Morreu Diamantino Gertrudes da Silva, capitão de Abril, esta quarta-feira (10 de outubro), aos 75 anos, em Viseu.

Natural de Alvite, concelho de Moimenta da Beira, foi graduado de coronel das Forças Armadas, mas ficou sempre conhecido como uma figura icónica – capitão de Abril ou herói de Abril.

Aquando a Revolução dos Cravos, Gertrudes da Silva comandou as tropas revolucionárias idas de Viseu para Lisboa, com as companhias de Aveiro e da Figueira da Foz. Um dos seus momentos foi a tomada da prisão de Peniche, numa marcha gloriosa, tornando-se uma figura decisiva na gesta heroica daquela memorável madrugada.

Gertrudes da Silva ingressou na Academia Militar em 1963, seguindo a carreira de Oficial do Exército na Arma de Infantaria. Cumpriu duas comissões na Guerra Colonial, a primeira em Angola e a segunda na Guiné. Integrou, ainda, o Movimento das Forças Armadas, no qual lhe foi conferida a missão para o sucesso da Revolução de Abril. Por várias vezes foi condecorado no âmbito militar, graças à sua coragem e espírito de missão patriótico, tendo sido agraciado com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade peça sua participação especial no Movimento do 25 de Abril de 1974.

Após dois anos da Revolução dos Cravos, em 1976, o capitão matriculou-se na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, a fim de se licenciar em História.

Nas últimas décadas foi um ativista cívico através da apresentação de comunicações em várias instituições, com incidência nas escolas.

Deixou, também, obras literárias. Uma trilogia inspirada nas suas vivências da guerra colonial (“Deus, Pátria e... A Vida”, Palimage 2003; “A Pátria ou a Vida”, Palimage 2004; e da Revolução do 25 de Abril “Quatro Estações em Abril”, Palimage, 2007) e um livro que incide sobre sagas familiares da sua terra natal na época do Estado Novo, “Tempos sem remissão”.

O presidente da Câmara Municipal de Moimenta da Beira, José Eduardo Ferreira, endereça à família do capitão de Abril as suas condolências, por ter sido “um dos nossos maiores cidadãos, com um percurso de vida imaculado e um gosto especial por tudo o que era nosso” com uma “grandeza e nobreza de vida e de espírito”.





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