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Noventa trabalhadores de fábrica têxtil de Nelas no desemprego

Nelas, moda, crise, insolvência, fábrica, desemprego
 

Marta Silva

Operária da Mendes & Morais


 

Sílvia Rodrigues

Representante das trabalhadoras da Mendes & Morais


 

Eugénia Morais

Administradora da Mendes & Morais


23-01-2019
 

Uma fábrica têxtil prepara-se para fechar as portas em Nelas, deixando noventa pessoas no desemprego.

A notícia foi comunicada aos funcionários na terça-feira (22 de janeiro), maioria mulheres, que não aceitam a decisão e concentraram-se à porta da empresa Mendes & Morais na manhã desta quarta-feira (dia 23).

Em declarações ao Jornal do Centro, a operária Marta Silva disse que, em causa, está a falta de pagamento das encomendas por parte da empresa espanhola Inditex, dona da Zara e de outras marcas de moda, para quem a companhia de Nelas trabalhava em regime de exclusividade.

“Nós fomos mandadas para casa porque não há dinheiro para nos pagar. Não temos dinheiro para o gás, nem para mais nada. Não temos dinheiro para sobreviver, portanto a empresa decidiu abrir insolvência”, lamentou.

A funcionária contou ainda que a administração revelou que tinha pedido mais dinheiro à Inditex para conseguir acabar com as encomendas. Contudo, a resposta foi negativa. “Ficou na linha de produção uma média de 800 calças. Não há mais nada na fábrica”, adiantou.

Marta Silva revelou ainda que os papéis da insolvência serão assinados na próxima segunda-feira (dia 28) e que as trabalhadoras vão entrar em férias com esta situação. Um cenário que foi confirmado pela representante das funcionárias, Sílvia Rodrigues.

A porta-voz disse que a Inditex suspendeu os contratos que a ligava à Mendes & Morais e fala numa evolução decrescente da carga de produção encomendada. “Antigamente eram 30 a 40 mil peças. Agora, reduziram para 800 e até 500. Como somos tantas trabalhadoras, a patroa não tem dinheiro para pagar salários com 800 peças, pagas a dois e a três euros”, explicou.

Sílvia Rodrigues afirmou ainda que não há possibilidade de a fábrica voltar a abrir as portas. “Falta pagar a luz, a água, o gás e o nosso salário de janeiro”, disse.

A administradora da empresa de Nelas, Eugénia Morais, lamentou a situação e responsabilizou a Inditex. “Começaram as encomendas a cair, retiram-nos o trabalho e começaram-se a acumular as dívidas, como é lógico. Mas a minha preocupação foi sempre pagar o salário, tanto que não devia um cêntimo. Agora não tenho dinheiro, nem para o gás que é essencial para a fábrica trabalhar”, explicou.

Eugénia Morais garantiu ainda que falou com os sindicatos, tendo assegurado que as operárias estarão de férias enquanto resolver a situação e que os seus direitos ficam salvaguardados. “Estiveram todas de acordo. Hoje fazem esta palhaçada e não entendi o porquê. Já havia dificuldades para pagar em janeiro, daí eu parar agora para não ficar a dever nada”, disse.

O Jornal do Centro aguarda esclarecimentos da Inditex sobre este caso.





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