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Novo ano escolar: “Eu queria voltar, mas não com a Covid-19”

por Redação

19 de setembro de 2020, 08:00

Foto Igor Ferreira

CLIPS ÁUDIO

Setembro é sinónimo de regresso às aulas. O cheiro a novos livros e material que ainda não foi estreado. Os amigos que já não se veem desde que o ano escolar terminou e os novos que estão para vir. Os professores que se mantêm ou os novos que estão por conhecer. As novas disciplinas e as que já estão habituados desde que começaram o percurso escolar.

Esta rotina, que pouco se altera de ano para ano, mas que muitos anseiam pela sua época, chega este ano de uma maneira diferente.

Com a Covid-19, a vida escolar mudou drasticamente. De aulas presenciais a aulas virtuais e de rodeados de pessoas a “isolados” com apenas os familiares.

Hoje, o cenário é um pouco diferente. As escolas voltam a reabrir portas, mas para um mundo desconhecido e receado pelos alunos de várias idades.

“Sinto muito receio porque é uma realidade diferente da que estamos habituados e, independentemente de estarmos a usar máscara e desinfetar várias vezes as mãos temos sempre medo”, diz Verónica Costa, aluna do 12º ano.

“Acho que não nos podemos habituar simplesmente a ficar em casa. O país tem de continuar a andar o máximo possível dentro do normal. As primeiras semanas vão ser um pouco mais confusas, porém, temos de nos sujeitar às novas circunstâncias pelo bem do futuro, não só económico, mas também, social do país”, completa Beatriz Nascimento, estudante universitária.

Para os mais novinhos, o cenário não é muito diferente. No entanto, mais difícil. Os habituais jogos de intervalo vão ter de ficar de lado mantendo o distanciamento social.

“Antes jogava futebol e brincava com os meus amigos, abraçávamo-nos e agora já não o podemos fazer”, conta, descontente, Martim Santos aluno do quarto ano.

Matilde Fernandes, do oitavo ano, partilha da mesma opinião. Acrescenta, apenas, que “o pior vai ser o chegarmos à escola e não podermos abraçar os nossos colegas com as saudades, nem apertar as mãos ou partilhar as coisas quando nos esquecemos e pedirmos um pouco do lanche quando não levamos de casa”.

No que diz respeito às normas de prevenção que as escolas estão a tomar, os alunos acreditam que são adequadas para que o ano decorra dentro da máxima normalidade possível.

“A minha faculdade já nos deu toda a informação necessária, e todas as medidas que teremos de cumprir como o sermos divididos em turnos e esses vão alternando de semana para semana de aulas presenciais para aulas virtuais, entre outras que, no meu pensar, nos fazem sentir seguros”, explica Beatriz Nascimento.

Para Samuel Santos, aluno do 11º ano, uma das diferenças que, na sua opinião é positiva, é o facto de “não ter de trocar de sala como acontece em anos anteriores e, deste modo, ajuda a evitar o risco de contágio”.

“Mas não deixo de salientar que me sinto mais seguro em frequentar uma escola situada numa área rural do que numa área urbana. E acredito que a minha escola (em Armamar) tem as condições necessárias para que tudo corra da melhor maneira”, acrescenta o jovem estudante do secundário.

“Cada escola tem a sua maneira de prevenção, mas acho que, mesmo que tenham as piores condições, conseguem adaptar-se a estas novas mudanças pois são coisas mínimas que podemos fazer e que fazem a diferença. Na minha opinião, quem faz a diferença na preparação deste ano letivo são os professores, os funcionários e os alunos”, frisa a aluna do oitavo ano, Matilde Fernandes.

A vontade de voltar às aulas, de estar com os amigos que não veem presencialmente desde o início do ano letivo e de aprender é de certa forma mais especial do que antes.

“Já tenho saudades desta rotina, de estar com os meus amigos, mesmo que com a distância social, agora vou poder voltar a vê-los. Além disso, também já tenho saudades das aprendizagens e do estudo. Eu queria voltar, mas não com a Covid-19”, admite Martim Santos.

Este vai, com certeza, ser um ano atípico para estas crianças e jovens. Um ano cheio de novas regras para cumprirem e se habituarem, não só para o próprio bem, mas para o de todos os que os rodeiam, desde professores a funcionários e até para proteção das próprias famílias.

Algo que não irá faltar nas suas mochilas, e que nunca antes pensaram incluir, serão as máscaras suplentes e o álcool em gel. Além disso, Matilde Fernandes, irá incluir, ainda, um “paninho para desinfetar as coisas”.


 

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