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Parlamento condena criação de museu dedicado a Salazar, em Santa Comba Dão

 

Joana Lopes

Peticionária contra o museu de Salazar


 

Vítor Ramalho

Peticionário a favor do museu de Salazar


11-09-2019
 

O Parlamento condenou esta quarta-feira (11 de setembro) a criação de um museu dedicado a António de Oliveira Salazar em Santa Comba Dão, aprovando um voto do PCP por considerar ser uma “afronta à democracia”.

Na hora da votação, PSD e CDS abstiveram-se, mas a maioria de esquerda – PS, BE, PCP e PEV – aprovou o voto apresentado pelos comunistas à comissão permanente da Assembleia da República, órgão que substitui o plenário do parlamento durante as férias.

PSD, CDS e PS anunciaram declarações de voto sobre esta matéria, que tem causado polémica nas últimas semanas.

Segundo o texto da bancada comunista, aprovado pelos deputados, a criação de “um ‘museu’ dedicado à memória do ditador Oliveira Salazar em Santa Comba Dão” é “uma afronta à democracia, aos valores democráticos” e uma “ofensa à memória das vítimas da ditadura”.

Através deste voto, a Assembleia da República apela aos promotores da criação do museu para que “reconsiderem a sua posição” e a todas as “entidades, públicas e privadas, para que não apoiem, direta ou indiretamente, essa iniciativa”.

Esta posição surge após a Câmara de Santa Comba Dão ter anunciado a intenção do município criar um Centro Interpretativo do Estado Novo, em parceria com outras entidades regionais e incluído numa rede ligada à História e Memória Política.

As posições dividem-se

Joana Lopes, uma das subscritoras de uma petição que protestou contra o museu, vê com agrado a posição tomada no Parlamento.

“Vejo com regozijo, com toda a esquerda a aprovar o voto do PCP contra a criação do museu. Tenho a esperança de que, com a maioria parlamentar a votar a favor, o projeto não avance”, disse ao Jornal do Centro.

Já Vítor Ramalho, que foi o primeiro subscritor de uma outra petição a favor do projeto, realçou que a esquerda em Portugal quer ocultar a história do país e é contra a liberdade de expressão.

“Esta condenação vem da parte da esquerda, que é ambígua da liberdade de expressão. Vindo delas, as mais odiosas posições ditatoriais em relação a uma série de assuntos deste país. Não se admira que a esquerda também fosse criticada, porque não querem que se fale de Salazar e têm medo de que as pessoas percebam, que ao contrário deles, não se enriqueceu com a política. Temo que o projeto [do museu] vá por terra, já o temia, até porque sempre pensei que este projeto não seria isento, seria mais um para aproveitar para criticar Salazar. O que pretendíamos era um projeto isento com o espólio enorme que ele tem e que fosse exposto”, considerou.

O Jornal do Centro também tentou obter uma reação do presidente da Câmara de Santa Comba Dão, mas ainda não foi possível ouvir Leonel Gouveia.





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