08 Jul
Viseu

Região

Reabertura: esplanadas cheias, mas clientes querem mais horas

por Redação

26 de Maio de 2020, 13:10

Foto Igor Ferreira

CLIPS ÁUDIO

O regresso à atividade dos cafés e restaurantes em Viseu teve duas fases. A primeira que foi de agitação logo nos primeiros dias e uma segunda onde a afluência foi mais reduzida.

No Praça D. Duarte, as esplanadas estão cheias por estes dias. “Estavam ansiosos por voltar, para conviver”, conta ao Jornal do centro Marta Almeida, funcionária do “Penedro da Sé”.

A reabertura foi cuidadosamente preparada e não tem havido grandes problemas. Os maiores estão, segundo os proprietários dos espaços, na dificuldade de alguns clientes cumprirem com as regras de higienização e cumprirem com o novo horário até as 23h00.

João Pinto e Rúben Fernandes, amigos e estudantes, pensam que a reabertura destes estabelecimentos foi “cedo de mais”, por isso optaram por “regressar” à sua esplanada de eleição só uns dias depois da reabertura.Mesmo com os medos, os dois amigos valorizam a importância da socialização e o convívio digital já não era o suficiente.

Para Rúben Fernandes, este regresso representa a junção e o convívio que já sentia falta com os amigos. “É completamente diferente do que estar em casa em chamadas”.

Na Sé, o “Obviamente Bar”, reabriu apenas esta segunda-feira, 25 de maio e, o panorama é bastante diferente. Por enquanto, a afluência dos clientes tem sido reduzida. Segundo Ricardo Pereira, funcionário do bar, esperavam mais movimento e tinham expetativas mais altas sobre a reabertura.

Neste estabelecimento, a grande aposta também é o espaço exterior. Os clientes preferem a esplanada e evitam o interior do estabelecimento, onde “não se sentem muito à vontade”, afirmou Ricardo Pereira, para quem com estas imposições necessárias deixou de haver “o conceito da noite”. Sendo um bar que se adaptou a café, os horários reduzidos vão também influenciar na receita. Por outro lado, os funcionários acabam igualmente por sair prejudicados porque têm menos horas de trabalho e os turnos são rotativos.

Em Jugueiros, Pedro Vide, o gerente do Mão Cheia que reabriu na passada segunda-feira, dia 18 de maio, revelou que a semana foi “muito má” e que, neste momento, não está a ter lucro para continuar com o estabelecimento aberto.

Para o proprietário, sem a esplanada “a semana está a ser muito complicada”. “Foi uma semana de calor, as pessoas preferem ir para os espaços abertos. Além disso, têm receio de vir para o interior do estabelecimento”, contou Pedro Vide ao Jornal do Centro.

Já para Marco Sousa, proprietário do X25, que também reabriu também dia 18 de maio, “a semana não está a correr mal”. “Aliás, está a correr melhor do que o que nós pensávamos”.

A falta de estudantes é, para a maior parte dos estabelecimentos situados na zona de Jugueiros, a maior dificuldade para o negócio, uma vez que estes são os principais clientes dos cafés dessa zona.

Além disso, o receio que os clientes têm em usar o interior dos estabelecimentos é também um obstáculo, uma vez que, com poucos lugares nas esplanadas, que ficam lotadas rapidamente, há clientes que vão embora. “O facto de termos o horário reduzido é complicado, agora com o verão, as pessoas saem mais tarde de casa, quando nos apercebemos já está na hora de fechar”, sublinhou Marco Sousa.

O proprietário espera que, com o regresso do futebol, as pessoas comecem a aderir mais à parte interior do seu estabelecimento que, por ter grande dimensão, permite uma melhor organização, desde as mesas às televisões. “Estamos com esperança de que as pessoas ganhem mais confiança em sair de casa e que comecem a vir assistir aos jogos. Por enquanto trabalha-se mais devagar, mas temos esperança de que melhores dias virão”, acrescentou.

Já André Oliveira, cliente, apenas regressou a esta normalidade no fim de semana, “devagar e com algum receio.” Tenta evitar cafés com muita afluência de pessoas e opta sempre pela esplanada. Admite que confiança no espaço interior será feita a medo.

Mesmo a medo, as ruas de Viseu já têm movimento. As esplanadas têm sido a grande aposta tanto dos proprietários dos cafés, como dos clientes, que se sentem mais seguros em espaços ao ar-livre. Os proprietários aguardam ansiosos pelo alargamento dos horários, pois em noites quentes será um desafio para os clientes terem de ir para casa mais cedo.

 

Ouça e trabalhe ao mesmo tempo

Destaques

Podcasts