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Sindicato de Hotelaria do Centro denuncia baixos salários em Viseu

Viseu, hotelaria, sindicato, trabalhadores
10-08-2018
 

O Sindicato de Hotelaria do Centro (SHC) denuncia que os trabalhadores do setor recebem baixos ordenados. Em conferência de imprensa realizada na última quinta-feira (9 de agosto) após uma ronda por várias empresas no distrito de Viseu, o presidente António Baião negou que haja falta de mão de obra, categorizando-a como uma “falsa questão”, e disse que se há falta de trabalhadores, é porque os empresários não pagam bem o salário no final do mês.

“Existe hoje muita mão de obra, qualificada, que deriva da formação profissional que hoje é feita nas escolas de hotelaria. O que existe é que os baixos salários e o trabalho ao fim de semana e feriados, que não é pago de forma correta, leva a que muitos trabalhadores, sobretudo os jovens, não fiquem no setor porque não querem estas condições de trabalho”, afirmou o sindicalista.

António Baião disse ainda que as entidades patronais “continuam resistentes” à aplicação dos contratos coletivos de trabalho e à atualização dos ordenados, assim como aos dias de descanso dos trabalhadores. O responsável do SHC acusou os empresários de manifestarem hostilidade ao aceitarem estipulações que estão previstas na legislação.

“Quando chegamos e dizemos que os novos salários foram publicados em Boletim de Trabalho e Emprego, são lei neste momento e devem ser respeitados, há sempre uma animosidade no sentido de aceitar que são direitos que têm de aplicar, porque a lei assim o determina”, reiterou.

Além disso, o responsável referiu que o SHC tem feito “um esforço muito grande” junto das entidades patronais “para que se garantam os dois dias de descanso semanal obrigatórios” para todos os trabalhadores.

"Reivindicações que precisam de ser ouvidas", segundo António Baião, para que os profissionais se possam “fidelizar no setor ou mesmo para que não vão para o estrangeiro, porque o turismo está a crescer e precisa de profissionais qualificados para melhorar a qualidade do serviço prestado” aos clientes.

“Outra situação que os trabalhadores denunciam é o não pagamento do trabalho extraordinário. Trabalham mais do que as 40 horas semanais, mas não lhes é pago”, denunciou.

António Baião referiu ainda que “os trabalhadores têm direito a que lhes seja pago o trabalho em dia feriado e o trabalho em dia de descanso semanal também é pago a 200% e o que acontece é que se troca o dia por dia, altera-se o dia de descanso semanal dos trabalhadores sem olhar que os trabalhadores têm família e vida própria”.

Questionado sobre o número de queixas feitas pelos trabalhadores, António Baião disse que o SHC “não tem esse dado quantificado”, embora afirme que na relação existente com a Autoridade para as Condições de Trabalho “existem diariamente trabalhadores que chegam com problemas para resolver” com a entidade patronal.

Viseu tem cinco focos de maior fluxo turístico

Segundo o dirigente sindical, no distrito de Viseu “há quatro ou cinco focos de maior fluxo turístico” e é aí que o sindicato tem estado mais vigilante, como é o caso de S. Pedro do Sul, “onde tem sido dada alguma atenção regular, sobretudo às unidades hoteleiras, onde existem de vez em quando alguns problemas que se vão atalhando”.

António Baião admitiu ainda que, sendo Viseu um distrito do interior, acaba por “haver mais facilidade de chegar à fala com os patrões, porque também não há unidades de grandes grupos económicos”.





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