01 out
Viseu

Região

Uma das vítimas mortais do acidente com Alfa Pendular é de Mangualde

por Redação

31 de julho de 2020, 21:19

Foto Arquivo Jornal do Centro

CLIPS ÁUDIO

Uma das vítimas mortais do acidente desta tarde de sexta-feira com o Alfa Pendular em Soure é de Mangualde. Tem 56 anos e era um dos operadores da máquina da Infraestruturas de Portugal contra a qual o comboio colidiu. A confirmação foi dada por fonte da GNR.

Em Contenças, lugar onde residia com a mulher, a consternação é grande, como relatou ao Jornal do Centro o presidente da Junta de Freguesia de Santiago de Cassurrães, Rui Valério.

“Uma perda numa situação destas é de lamentar sempre. Estamos cá para ajudar no que for preciso”, afirmou o autarca.

O mais recente balanço, feito às 21h00, além das duas vítimas mortais, dava conta de 43 feridos, sete dos quais em estado grave. Um dos casos mais graves (politraumatismo), e que foi levado para o bloco operatório de emergência do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, é o maquinista do Alfa Pendular.

O comboio, com 212 passageiros, seguia no sentido sul-norte e o descarrilamento ocorreu após o embate entre o Alfa Pendular e uma máquina de trabalho, tendo o alerta sido dado às 15h30, segundo a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).

O Alfa Pendular seguia no sentido Sul-Norte, tendo saído de Santa Apolónia às 14:00 e tinha como destino final Braga.

Um dos passageiros, José Pereira, em declarações à Agência Lusa, e que seguia viagem para o Porto, contou quando sentiu o comboio Alfa Pendular a descarrilar. Viu as malas a voar e “os ferros a rebentar”, mas diz que os passageiros mantiveram a calma após o pânico inicial.

Assim que o comboio Alfa Pendular começou a descarrilar após colidir com uma máquina de trabalhos, em Soure, José Pereira sentiu “um choque” forte e apenas teve o instinto de agarrar o seu neto. 

“Pareceu que o comboio ia a travar, andou-se ali uns minutos largos, com todas as pessoas em pânico”, contou aos jornalistas o passageiro, sublinhando que, ao início, aquando do embate, só viu “as malas a cair e os ferros a rebentar”. 

A carruagem, acrescentou, “ficou toda rebentada no interior”.

Apesar do pânico inicial com o descarrilamento, o passageiro sublinhou que todas as pessoas na sua carruagem conseguiram manter a calma até chegarem os bombeiros.

“A calma de todo o pessoal a ajudar uns aos outros foi fundamental”, salientou.

Na sua carruagem, enquanto os bombeiros não vinham e sem possibilidade de abrir as portas, alguns passageiros decidiram partir vidros “para poder entrar ar" e pegaram "nas malas, nas calmas”, disse José, que saiu praticamente ileso, apenas com umas escoriações na perna e no braço.

A sua mulher teve “um problema no tórax - mas nada de grave” e o neto “um problema na pernita, mas também nada de grave”, contou José Pereira, que falava junto ao posto de comando, instalado às portas da vila de Soure, no distrito de Coimbra.

“Já apanhei alguns sustos, mas como este não”, disse José Pereira, que acabou a entrevista a ser chamado por uma enfermeira, com a sua mala, para ver as pequenas feridas que tinha.

O Presidente da República e o primeiro-ministro já lamentaram as mortes, assim como o ministro das Infraestruturas Pedro Nuno santos que esteve já no local, onde ainda se está a proceder a trabalhos de remoção da linha que se encontra interrompida.

O Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) anunciou, entretanto, que vai investigar as causas do acidente.

 

Ouça e trabalhe ao mesmo tempo

Destaques

Podcasts