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Viseenses no grupo de repatriados de Moçambique por causa do ciclone Idai

 

Maria Lopes


 

Carlos Miroto


25-03-2019
 

Dois dos sete portugueses que deixaram Moçambique e que regressaram na madrugada desta segunda-feira (25 de março) a Portugal na sequência do ciclone Idai são do distrito de Viseu. Os cidadãos voltaram ao país num avião fretado pelo Governo português, que aterrou na base militar de Figo Maduro, em Lisboa, por volta da 1h00 da manhã.

Uma das pessoas, Maria Lopes, é natural de Lamego. Em declarações aos jornalistas, a mulher refere que "ninguém estava à espera" das consequências do ciclone Idai.

"Não dá para contar. Árvores inteiras a cair em cima dos telhados. Mas árvores centenárias, não é uma árvore qualquer. Não é dessas pequeninas que nós vemos. São árvores centenárias, árvores que partem logo uma casa, se for preciso", relata.

Maria Lopes diz mesmo que ela e a família não morreram “porque não calhou”. “Os telhados foram todos. Vocês não imaginam o vento levar tudo pela frente… Tudo. Até as paredes começaram a partir”, conta.

Maria Lopes diz que ficou "sem nada", e que, por isso, a solução passou por regressar a Portugal.

Já Carlos Miroto é natural de Santa Comba Dão. Depois de ter perdido a casa de família nos incêndios de 2017, admite que não tem para onde ir viver. Este homem, que trabalhava nas madeiras e nos transportes, revela que, em Moçambique, perdeu “a empresa, a casa, o parque dos camiões, a quinta onde tinha o gado”.

“Desapareceu tudo. Não fiquei com um muro”, adianta. “Os incêndios limparam-me tudo o que tinha cá, agora foi a vez de o ciclone me limpar tudo o que tinha lá”, lamenta. 

Contactado pelo Jornal do Centro, o presidente da Câmara de Santa Comba Dão, Leonel Gouveia, referiu que a autarquia está a tentar chegar a Carlos Miroto de forma a poder ajudá-lo neste regresso.

Além de terem sido recebidos pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, os sete portugueses repatriados foram acompanhados por várias equipas do INEM e da Segurança Social. O ciclone Idai provocou a morte de 446 pessoas em Moçambique.





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