03 mar
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Alunos faltam a aulas e frequências por falta de transportes

por Redação

19 de janeiro de 2021, 15:37

Foto Arquivo Jornal do Centro

Ministro rejeita, para já, alterar aulas ou avaliações presenciais no ensino superior

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Há alunos que frequentam o ensino superior, em Viseu, que não conseguem deslocar-se das cidades de onde são naturais para poderem ir para as aulas. 

Uma aluna do segundo ano de Comunicação Social, da Escola Superior de Educação de Viseu (ESEV), que reside em Pombal, chegou a ter que faltar a uma frequência esta terça-feira (19 de janeiro) por não ter como viajar.

“Na quinta-feira (14 de janeiro) tive que vir a casa por motivos de força maior. Mas comprei o bilhete para voltar para Viseu na segunda-feira seguinte. Entretanto, recebo um email da Rede Expressos a dizer que iam suprimir alguns autocarros”, explica a jovem que prefere não ser identificada.

Depois de procurar várias alternativas, chegou mesmo a tentar fazer a viagem de comboio até Coimbra e lá apanhar, então, o autocarro para Viseu, mas não conseguiu.

A aluna contactou a escola.

“Falei com a presidência e expliquei a minha situação e a de muitos colegas. Aquilo que me disseram foi que a escola não garante transporte, mas têm de ser os alunos. Logo, eu não devia sequer ter vindo à minha terra. Disseram-me que não devia ter saído de Viseu, tendo em conta que estamos em confinamento”, conta. 

Segundo a jovem, “não foi autorizada por parte da escola a avaliação à distância porque a falta de transporte não é uma justificação plausível”.

Numa pesquisa rápida, o Jornal do Centro verificou que todos os autocarros de Leiria para Viseu e de Leiria para Coimbra foram suprimidos.

O Jornal do Centro já contactou a Rede Expressos, estando a aguardar uma reação da parte da empresa transportadora. Mas, tratando-se de uma empresa privada, e à semelhança de outras do mesmo ramo, vários serviços foram suprimidos por falta de rentabilidade. 

Quanto à escola, o presidente da ESEV, garante que a situação está a ser analisada de forma a que os estudantes não sejam prejudicados.

"Tomamos decisões de modo a que possamos funcionar e dar as melhores respostas possíveis às situações. Está em análise e as situações que tenham a ver com exames previstos  para esta semana, haverá respostas que permitirão aos estudantes, logo que possível, terem as mesmas condições que têm todos os outros que não têm problemas de saúde ou que não tiveram problemas de transportes inesperadas", adianta João Paulo Balula. 

 

 

Ministro rejeita, para já, alterar aulas ou avaliações presenciais no ensino superior

O ministro da Ciência e Ensino Superior rejeitou hoje alterar o regime de avaliações presenciais nas universidades e politécnicos, admitindo no entanto que a situação da pandemia traz um incerteza que exige "um esforço de realismo" constante.

Falando numa audição na comissão parlamentar de Educação, Ciência, Juventude e Desporto, Manuel Heitor argumentou que geralmente a incidência de casos de contágio pelo novo coronavírus no Ensino Superior é sempre inferior à dos concelhos onde se localizam as universidades e politécnicos.

"Estamos abertos a uma situação complexa que requer também muita ponderação" ressalvou, notando que até à terceira semana de fevereiro, o ensino superior está na pausa entre semestres e que "nesta fase não deve haver alterações ao regime das avaliações presenciais, sempre que possível complementadas por avaliações com recurso a tecnologias digitais".

Qualquer alteração ao regime de avaliações terá impacto no percurso académico dos estudantes, salientou.

Apesar de críticas de "negacionismo" dirigidas ao ministro pelo deputado social-democrata Duarte Marques, Manuel Heitor declarou que as recomendações do Governo para as instituições sobre o regime presencial de aulas e avaliações, "seguem as principais e melhores práticas internacionais, numa reflexão mantida diretamente com estudantes, dirigentes e presidentes de politécnicos e reitores de universidades que reconhecem os lugares seguros que são hoje as instituições de ensino superior".

"Há uma visão em Portugal e na Europa que o ensino deve ser sobretudo presencial e essa visão tem que ser aplicada, mas de uma forma realista caso a caso, seguindo o que é a realidade e o que é o esforço que nos exige garantir condições de elevada segurança", declarou.

Manuel Heitor referiu que na faixa etária entre os 20 e 29 anos, entre a qual têm aumentado os casos de contágio, apenas 18 por cento estão no ensino superior, enquanto na faixa etária entre os 18 e os 24 há 30% nas universidades e politécnicos.

"De uma forma geral, para além de nessas faixas etárias a fração de estudantes ser apenas uma pequena fração, temos dentro das instituições taxas de incidência, com dados de terça-feira, são sempre inferiores aos concelhos" onde estas se situam.

O ministro indicou que na Universidade do Porto, a taxa de incidência de casos entre os estudantes era "30% da taxa de incidência em todo o concelho", tal como entre os estudantes da Universidade do Minho, em que a taxa de incidência é cerca de 25% do que se verifica nos concelhos em que a universidade tem instalações.

"Os dados que vivemos têm muito a ver com períodos não letivos, quer nos contágios ao fim de semana, quer nos períodos após ou entre o Natal e o Ano Novo, por isso temos que ser bastante cuidadosos e muito realistas nestas extrapolações", referiu.

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