02 Jul
Viseu

Região

Cancelada a Feira de S. Mateus

por Redação

08 de Maio de 2020, 11:13

Foto Arquivo Jornal do Centro

Anúncio feito pela Câmara de Viseu

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Foi cancelada a edição deste ano da Feira de S. Mateus.

O anúncio foi feito pela Câmara de Viseu, esta sexta-feira (8 de maio), depois de o Governo ter decretado a suspensão dos festivais de verão e música até setembro por causa do risco do novo coronavírus.

O presidente da autarquia de Viseu, Almeida Henriques, já disse aos jornalistas que “não havia condições sanitárias para assegurar o distanciamento social” na Feira Franca e promete que o evento irá regressar em 2021, com “mais força e determinação e honrando a tradição”.

O autarca fala mesmo de uma “decisão difícil”. “É óbvio que todos nós, viseenses, e aqueles que gostam da Feira de S. Mateus, os nossos emigrantes e os que vivem noutras partes do país e que vêm anualmente à Feira vão sentir seguramente esta falta”, acrescenta sublinhando ainda os 80 milhões de euros de volume de negócios que a Feira vai deixar de ter este ano.

 

O "plano B" da Câmara

Para minimizar a falta de oferta cultural, a autarquia de Viseu tem um plano B. “Vamos continuar a promover Viseu como um destino de qualidade de vida e um destino turístico. Estamos a trabalhar neste plano, que está sempre condicionado à forma como evoluirá a luta contra a Covid-19 e a forma como evolui as condições para que as pessoas possam participar em eventos públicos. A nossa preocupação será sempre salvaguardar a saúde pública das pessoas, mas também cumprir algo que tínhamos prometido”, refere.

Para isso, o autarca promete que Viseu voltará a ter animação turística e cultural durante o verão, “que estimule a retoma da atividade económica, cultural e turística e que não deixe um vazio para a comunidade e para aqueles que nos visitam”.

O vereador da Cultura e gestor da Feira, Jorge Sobrado, explica em que consiste o plano B: uma programação “safe & sexy”. “Será uma programação sensata, com mais de 100 micro-eventos ao longo do Verão, polinucleados na cidade, onde não faltarão imaginários da Feira, mas também de outros festivais e eventos de Viseu cancelados por efeito da pandemia”, refere.

“Fazer uma Feira de S. Mateus amputada ou descaracterizada não seria opção. Respeitamos a sua identidade e a reputação que alcançámos. Optámos por uma estratégia ‘Ferrero Rocher’: regressaremos na próxima época para voltar a surpreender. 2021 será a melhor edição de sempre”, acrescenta.

A programação, que brevemente será divulgada, tem como intuito retomar a atividade económica, cultural e turística, entre o verão e o feriado municipal a 21 de setembro.

Entre os eventos prometidos poderão estar sessões de cinema em ‘drive-in’ no recinto onde se realiza a Feira de S. Mateus ou mesmo a presença de “artesãos e outros comerciantes do concelho em espaços fechados na Rua Direita”, que se situa na zona histórica da cidade.

“Estou convencido de que este plano B possa animar o centro histórico. Não deixaremos de sentir o cheiro das farturas, o sabor das enguias, mesmo sem Feira de São Mateus. Tudo isso será possível de conseguir”, disse Almeida Henriques.

Além da animação da cidade, o objetivo também passa por “minorar o efeito económico que terão alguns destes comerciantes, sobretudo alguns oriundos do concelho” de Viseu.

Segundo o autarca, este plano B conta com o apoio dos parceiros da Feira de S. Mateus, “que se comprometeram continuar a ser, em 2021,” num certame que recebe “mais de um milhão de visitantes e gera um volume de negócios de 80 milhões de euros”.

“Temos aqui três impactos: o impacto da saudade, o segundo, na renda turística e na agenda de eventos de Viseu e também este muito relevante que é de 80 milhões de euros de volume de negócio que deixarão de se fazer pelo facto de estarmos assumir que não iremos ter Feira de S. Mateus”, assumiu Almeida Henriques.

O evento costuma atrair mais de um milhão de visitantes. A edição deste ano iria decorrer entre os dias 9 de agosto e 16 de setembro.

Empresários e comerciantes lamentam cancelamento

Ouvido pelo Jornal do Centro, o presidente da Associação Comercial de Viseu, Gualter Mirandez, diz que o cancelamento de eventos para este verão já era expetável. O comerciante alerta ainda que o fim de várias iniciativas vai ser mau para o comércio e a economia da região de Viseu.

“Não há dúvida de que estes cancelamentos são maus, atendendo a que era toda uma dinâmica criada nos últimos anos, com muito sucesso. Simplesmente, de um dia para outro, vimos tudo parado. A economia vai ficar bastante afetada e não é tão difícil perder uma coisa destas, atendendo ao número de empresários e empresas que viviam da Feira e de outros eventos da região”, afirma.

Também Jorge Loureiro, o presidente da delegação de Viseu e vice-presidente nacional da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal, acredita que o cancelamento da Feira Franca vai trazer ainda mais dificuldades aos empresários.

“Há aqui um impacto muito grande na economia. É mais um murro no estômago que a região leva, com esta não-realização daquele que é de facto o grande evento que, durante quase um mês e meio, anima e traz a Viseu tantos consumidores. É uma dificuldade acrescida para um tempo tão difícil, estranho e incerto. Como diria o outro, não havia necessidade, mas não deixou outra possibilidade”, afirma.

Jorge Loureiro espera que a Câmara de Viseu e a Viseu Marca, a entidade organizadora do certame, consigam arranjar soluções alternativas para trazer turistas e movimento à cidade durante o verão.

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