20 Set
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Viseu discriminado pelo Governo no saneamento básico, diz Almeida Henriques

por Redação

20 de Julho de 2020, 12:38

Foto Arquivo Jornal do Centro

O autarca acusa o Governo de beneficiar concelhos socialistas na região

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O presidente da Câmara de Viseu, Almeida Henriques, considera que o concelho está a ser discriminado pelo Governo em projetos de saneamento básico.

Durante a Assembleia Municipal desta segunda-feira (20 de julho), o autarca acusou a tutela de beneficiar concelhos socialistas na região.

“É lamentável que vários processos, como os das ETAR de Silgueiros e Viseu Norte, ainda estejam à espera de uma oportunidade, há cinco anos, para que se possam fazer. Olhamos para os concelhos à volta, que são vermelhos, e vemos que já foram três, cinco ou seis ETAR financiadas através de convite dos fundos comunitários”, afirma Almeida Henriques, que não poupa nas críticas ao Governo.

“Fica mal a um governo discriminar negativamente um concelho como Viseu e fica mal que, ao longo deste quadro comunitário de apoio, o valor dos apoios que tivemos até agora em água e saneamento seja muito pouco superior a dois milhões de euros, o que significa que todo este esforço que temos feito tem sido à conta do orçamento dos SMAS e da Câmara”, argumenta o presidente da Câmara.

Almeida Henriques acrescenta que alguns dos concelhos com câmaras PS têm sido apoiados “de bandeja” com candidaturas aprovadas, “algumas delas até redundantes”.

“Não é correto um município ser penalizado pelo facto de ser de uma cor política que não seja a do Governo”, lamuria.

 

Almeida Henriques espera que Águas da Região de Viseu seja uma realidade e descarta privatização

Ainda na Assembleia Municipal, o presidente da Câmara de Viseu disse ainda que espera que a nova empresa intermunicipal de água, a Águas da Região de Viseu, não caia por terra.

O projeto anterior, que juntava oito concelhos, foi abandonado em 2018. Dois anos depois, Viseu, Mangualde, Nelas, Penalva do Castelo e Sátão voltaram a juntar-se para criar a Águas da Região de Viseu, que vai ser responsável pela captação e tratamento do abastecimento público.

Almeida Henriques espera que desta vez não se registem problemas. “Esperamos que não exista aqui nenhuma situação que venha fazer borregar um processo que já foi apresentado ao ministro do Ambiente numa reunião em que estiveram os cinco concelhos”, refere.

O autarca garante que o ministro do Ambiente se comprometeu a apoiar várias obras nos cinco concelhos no domínio da água, sendo que os municípios podem avançar por si mesmos com a construção da nova barragem de Fagilde.

“O ministro disse que, com as negociações em Bruxelas, seguramente não faltarão fundos comunitários para o investimento em curso. A única questão que poderá acontecer é não haver dinheiro para a barragem. Eu disse-lhe que, se houver um maior investimento de fundos comunitários no restante [projeto], a empresa constrói a barragem em última análise”, explica.

Segundo Almeida Henriques, os autarcas que criaram a Águas da Região de Viseu preveem que a empresa “tenha cerca de 20 milhões de euros a fundo perdido nesta fase de investimento”, que rondará um total de 53 milhões. A expectativa é que a Águas da Região de Viseu entre em funcionamento no primeiro trimestre de 2021.

Do lado dos deputados, a bancada do PSD teceu críticas ao antigo presidente da Câmara de Mangualde e candidato do PS ao município viseense nas autárquicas do próximo ano, João Azevedo. O deputado laranja Pedro Alves acusou o socialista de ter sido o responsável pelo fracasso da anterior empresa intermunicipal.

“João Azevedo tudo fez para boicotar, e boicotou, a melhoria do abastecimento de água para consumo humano na região e especialmente no concelho de Viseu. Na verdade, não é surpreendente este comportamento. Basta lembrar a subserviência e o silêncio comprometedor aquando do cancelamento da construção da barragem de Girabolhos ou mesmo do posicionamento da ligação ferroviária Aveiro-Viseu-Vilar Formoso. Nunca defendeu Viseu”, critica.

Em defesa de João Azevedo, saiu o deputado do PS, Alberto Ascensão. O socialista considera que a saída do ex-autarca da Câmara de Mangualde não significou a criação da Águas da Região de Viseu e o acordo entre os cinco municípios que a compõem. “Trata-se de uma mudança de projeto. Não tem nada a ver com o que era anteriormente. Basta vermos que passámos de sete para cinco municípios. Portanto, em boa hora, a Câmara de Viseu enveredou este caminho ao ponto de viabilizar esta solução”, sustenta.

Ainda sobre a nova empresa, a deputada do Bloco de Esquerda, Catarina Vieira, alertou para os riscos da privatização do serviço de abastecimento de água, o que foi mais uma vez afastado por Almeida Henriques.

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