08 Jul
Viseu

Sociedade

Petição quer travar ruas com o nome de Salazar

por Redação

30 de Junho de 2020, 11:44

Foto Arquivo Jornal do Centro

Há 22 ruas que mantêm hoje o nome do antigo ditador, incluindo em Viseu e Santa Comba Dão

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Passados 46 anos depois da revolução do 25 de abril, há 22 ruas que mantêm ainda hoje o nome de António de Oliveira Salazar, que governou Portugal durante grande parte da ditadura do Estado Novo, em todo o país.

Só no distrito de Viseu, de onde era natural o antigo ditador, há cinco concelhos com ruas com o seu nome. As artérias estão situadas em Viseu, Armamar, Carregal do Sal, Penedono e Santa Comba Dão, a terra natal de Salazar, avança Luís Sottomaior Braga, que é o promotor de uma petição na Internet, que já está a circular, contra a atribuição do nome do antigo presidente do Conselho de Ministros às ruas.

O promotor diz que decidiu avançar com esta ação depois do que aconteceu à estátua do padre António Vieira que foi vandalizada em Lisboa.

Ao Jornal do Centro, Luís Sottomaior Braga diz que, para preparar a petição, fez uma consulta na Internet e conseguiu identificar mais de duas dezenas de ruas com o nome de Salazar.

“Fiz o que acho que se deve fazer num estado democrático: ver quem tem competência para dar o nome às ruas, que são as câmaras municipais e as comissões de toponímia, e fazer uma petição. Eu acho mal que Salazar seja homenageado na toponímia de uma democracia. O objetivo é fazer com que as autarquias reflitam soSbre isto, expliquem e retirem [o nome de Salazar] democraticamente. Se mantiverem, lá terão as suas razões”, explica.

O promotor espera ainda que os municípios em causa ponderem o que está em causa e “percebam o argumento democrático de não ter um ditador homenageado com o nome de uma rua nas cidades e noutras localidades”.

Apesar de Salazar ser natural da região de Viseu, Luís Sottomaior Braga, que é professor de História, não concorda que o antigo ditador continue a dar nome a ruas e avenidas. O especialista lembra que a toponímia das ruas representa tributos a figuras reconhecidas pelo seu percurso.

“A toponímia é uma homenagem. Nós damos, às ruas, nomes de pessoas que estimamos. Eu vejo muitas vezes o argumento de se pegar numa personagem histórica qualquer e dizer que ele também fez coisas más”, diz o docente. O promotor da petição tomou como exemplo o Marquês de Pombal, que, lembra, “viveu antes de haver declarações de direitos humanos e da democracia ser uma regra generalizada”.

“O Salazar foi antidemocrata por escolha. No tempo dele, há textos escritos por ele em que assume ser contra a democracia. Há pessoas vivas que, ainda hoje, se ofendem quando passam por uma placa em que se vê o nome de alguém que foi responsável por ter ido à guerra ou por as pessoas terem passado fome ou estado presas”, argumenta Sottomaior Braga.

A petição contra a atribuição do nome de Salazar às ruas já foi subscrita por 189 pessoas na Internet.

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