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Viseu

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Sernancelhe: pessoas idosas retiradas de aldeias. Habitantes a postos com mangueiras na mão

por Redação

06 de agosto de 2020, 19:31

Foto Arquivo Jornal do Centro

CLIPS ÁUDIO

Mais de 300 operacionais continuam ao final desta tarde de quinta-feira (6 de agosto) a combater o incêndio que deflagrou em Sernancelhe. Um incêndio que está a levantar dificuldades aos operacionais e que já obrigou à retirada de pessoas idosas de algumas aldeias para lugares mais seguros.

A informação foi confirmada pelo comandante operacional distrital de Viseu, Miguel Ângelo David.

“O incêndio está ativo, há muito vento em constantes mudanças de rumo e há aldeias no sentido de progressão do incêndio. Estamos, neste momento, a reposicionar meios para salvaguardar essas aldeias de onde já foram retiradas pessoas idosas para lugares seguros”, relatou o responsável.

Miguel Ângelo David adiantou que estão também a ser “feitos trabalhos com maquinarias para abrir acessibilidades para combater o incêndio”, uma vez que, além do vento forte, há dificuldades com “o terreno acidentado e irregular”.

O comandante disse ainda que “há esperança" de diminuição do vento com o aproximar da noite. "Pelo menos são essas as previsões, de um ligeiro abrandamento”.

O fogo, cujo alerta foi ativado às 12h02, já está a caminho do concelho vizinho de Moimenta da Beira. Várias localidades de Sernancelhe têm sido afetadas pelo incêndio, incluindo Lapa, que já esteve a arder, bem como Carregal e Vila da Ponte.

Na aldeia À-de-Barros, os operacionais tomaram as devidas precauções e fizeram avisos aos habitantes. Ao Jornal do Centro, Euranice, habitante desta aldeia, lembrou os momentos em que “o fogo esteve perto”. A única coisa a fazer foi "limpar e regar", algo que, a seu ver, deveria ter sido feito por mais pessoas.

“As precauções são tomadas por poucas pessoas. Há muitas matas que não foram limpas. Inclusive, já cá esteve a GNR para avisar as pessoas e as mandarem limpar. Mas muitas pessoas não limpam. Nem toda a gente tem a consciência do que está a acontecer”, lamentou de mão na mangueira caso venha ser necessário usar.

Também Catarina Costa tinha "tudo à mão", caso fosse necessário. "Temos as mangueiras e os baldes lá atrás, onde está mais perto o fogo, para não deixar avançar para a casa”.

“Não regámos porque, com o calor que está, seca tudo muito rápido. Assim que nos virmos mais aflitos, regamos e molhamos. Se estiver pior ainda, temos de sair porque não há outra hipótese”, disse, mostrando que já retirou os animais da rua e meteu-os em casa como forma de prevenção.  

Já na aldeia de Penso, Helena Rebelo, que tem uma casa, afirma que os bombeiros “têm feito os possíveis para atenuar a situação”. “Neste momento, as coisas estão mais calmas. O fogo já abrandou e os camiões estão a controlar. Têm tentado proteger as habitações e avisar os populares para se manterem resguardados. Estamos a aguardar os próximos momentos, para que o vento não acelera”, pediu.

A habitante tem ainda um furo “que deita água durante bastante tempo” e que tem estado à disposição dos bombeiros para se abastecerem. “Está tudo em posição. Se for preciso atuar, eles têm a nossa ajuda”, sustentou.

A meio da tarde, o presidente da Câmara de Sernancelhe, Carlos Santiago, admitia que a situação era "muito complicada”. "Diversas casas já estão a ser ameaçadas pelo fogo que tem, nesta altura, vários focos. O vento está a dificultar o combate às chamas", contava ao Jornal do Centro.

 

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