29 nov
Viseu

David Pinto - Farmácia Grão Vasco

OPINIÃO

Cuidar da pele em tempos de pandemia

22 de novembro de 2020, 08:00

CLIPS ÁUDIO

Pode não parecer evidente, mas uma das maiores vítimas da pandemia é o maior órgão do seu corpo: a pele! E não é o vírus da COVID-19 que a está a danificar…

A correta e frequente lavagem/desinfeção das mãos é uma das poucas armas que temos para travar a progressão da tragédia que nos tem ocupado os últimos 9 meses. Contudo, com a ausência de um cuidado posterior, a exposição contínua da nossa pele aos agentes desinfetantes acaba por causar danos que levam ao aparecimento de dermatite, caracterizada por lesões inflamatórias, vermelhidão, dor e prurido. 

As propriedades desinfetantes do álcool e dos sabões dependem da capacidade que estes têm de dissolver e inativar as estruturas lipídicas (à base de gorduras) da parte mais externa das bactérias, parasitas, fungos e, como seria de esperar, dos vírus. No entanto, ao mesmo tempo que dissolvem os elementos gordurosos destes seres, também removem as gorduras naturalmente produzidas pela nossa pele e que desempenham um papel vital.

No nosso dia-a-dia, a pele é protegida por uma mistura de sebo (parte gordurosa) e suor (parte aquosa) que é responsável pela nutrição, hidratação e manutenção do pH (a pele é ligeiramente ácida). Ao ser removida, todo este equilíbrio fica comprometido com o risco do aumento da secura, irritação e risco de aparecimento de infeções, estando em maior risco quem já sofra de dermatite atópica.

Visto que reduzir o número de lavagens e desinfeções ao longo do dia não é uma solução, importa explicar como podemos evitar que estes problemas aconteçam. 

Em primeiro lugar, caso tenha essa possibilidade, opte por lavar maioritariamente as mãos com sabão em vez de as desinfetar com álcool. Para além de ser menos agressivo para a pele, existem algumas soluções no mercado que ao mesmo tempo que proporcionam uma boa lavagem possuem capacidade de hidratação e nutrição. Caso seja necessária a desinfeção com álcool, prefira sempre o chamado “álcool-gel” em vez da solução líquida, visto que contém glicerina, um elemento emoliente que ajuda a fixar a água localmente.

Após a lavagem, obrigatoriamente, hidrate as mãos com uma boa camada de creme. Este produto deve ser isento de perfumes ou outras substâncias irritantes e facilmente absorvido. Aproveite as horas de repouso após o trabalho ou antes de deitar para aplicar uma camada generosa.

Nalguns casos mais graves, estas medidas podem ser insuficientes, sendo nesse caso necessária a utilização controlada de cremes corticoides durante um curto período de tempo. 

Em qualquer um dos casos conte com a ajuda do seu farmacêutico.

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