21 out
Viseu

António Felix Rizz

OPINIÃO

Decantar ou não?

18 de outubro de 2020, 07:00

CLIPS ÁUDIO

A"re a primeira pedra quem nunca ques"onou. Não terei sido o único a perguntar porque e quando deveria decantar vinhos. Vamos à e"mologia. Em sen"do lato, decantar é separar — geralmente, impurezas dos líquidos, lentamente, de um recipiente para outro. Decantar um vinho é, por isso, passá-lo para um novo recipiente, para o deixar “limpo”. Quando devemos fazê-lo? As pessoas estão certas quando dizem que todos os vinhos têm de ser decantados para se “abrirem”? Primeiro, não é tão trivial ter respostas certas para estas questões. Aliás, o maravilhoso mundo dos vinhos é mesmo assim — há várias resoluções para uma problemá"ca e nem por isso deixa de ser importante argumentar. Assim sendo, permitam-me par"lhar o meu ponto de vista. Ao contrário do que muitos embaem, o famoso depósito não tem relação direta com a qualidade do vinho. Este conteúdo no fundo da garrafa pode, sim, significar duas coisas: que o vinho é an"go e/ou que foi produzido com castas de película mais grossa. Ora, quando vou abrir uma garrafa de um vinho envelhecido ou se reparo que, mesmo não sendo tão an"go, contém resíduos, devo decantá-lo, por forma a separar o vinho “limpo” do que não interessa tanto beber, e não apenas “porque sim”. Depois, a questão do “abrir” do vinho, que designa o contacto do vinho com o oxigénio, já que este potencia a libertação dos aromas. Vinhos novos não precisarão deste tempo de libertação; já vinhos velhos merecem o ritual, uma vez que, com o tempo, os aromas abafaram. Mas, atenção, demasiado tempo aberto levará a que os aromas se vão perdendo. Deixar os vinhos respirar “longas horas” é mito.

Ouça e trabalhe ao mesmo tempo

Destaques

Podcasts