29 out
Viseu

Joana Veiga Torres - Anestesiologista no Hospital CUF Viseu

OPINIÃO

Dor crónica: uma doença invisível

17 de outubro de 2020, 07:00

CLIPS ÁUDIO

Estima-se que em Portugal mais de 3 milhões de pessoas sofram de dor crónica, de acordo com um estudo epidemiológico desenvolvido no nosso país. A seguir à hipertensão arterial a dor crónica é a segunda doença mais prevalente. 

A propósito do Dia Nacional da Luta Contra a Dor, assinalado a 16 de outubro, importa alertar para esta patologia e sensibilizar para o que pode e deve ser feito para o tratamento e alívio deste problema. 

A dor, quando aguda, pode ser uma forma de alerta para uma lesão ou doença, tendo um papel inicial importante na sua prevenção ou recuperação. No entanto, este papel é limitado no tempo. A dor torna-se crónica quando se prolonga no tempo para além da doença ou lesão que lhe deu origem, persistindo há várias semanas, meses ou anos. A dor que no momento da lesão podia ser considerada sintoma, torna-se uma doença. Não tem qualquer vantagem para a pessoa, sendo apenas causadora de sofrimento. 

Na sua origem podem estar múltiplas causas, nas quais se incluem doenças oncológicas, problemas músculo-esqueléticos, lesões nervosas, persistência de dor após uma cirurgia, entre outras. A mais frequente é a patologia osteoarticular, como por exemplo as artroses ou a lombalgia, vulgarmente conhecida por “dor nas costas”. 

Por ser uma doença invisível, a dor crónica é muitas vezes desvalorizada, quer pelo próprio doente, quer pela sociedade no geral. Com o passar do tempo torna-se frequentemente incapacitante e monopoliza a vida do doente e de quem o rodeia. Tem elevado impacto emocional, social, laboral e nas atividades da vida diária, podendo inclusive conduzir a outras doenças. É um problema complexo, que transcende os sintomas físicos. Varia de doente para doente e pode ter múltiplas abordagens, que devem ser adequadas caso a caso. 

Se sofre de dor crónica, é fundamental aprender a falar abertamente do seu problema e procurar ajuda junto de profissionais especializados. Ser-lhe-á feita uma avaliação individualizada e posteriormente definido um plano terapêutico, que poderá incluir várias estratégias como medicação, técnicas terapêuticas ou referenciação a profissionais de outras áreas. 

A dor crónica por vezes não tem cura, mas pode e deve ser controlada, melhorando significativamente a sua qualidade de vida. O tratamento pode ser otimizado e ter melhores resultados se a abordagem ocorrer o mais precocemente possível. Quanto mais tempo passar desde o início da doença, mais difícil pode ser o seu controlo, pelo que não deve adiar o pedido de ajuda nem ter receio de se deslocar a uma unidade de saúde. Os profissionais de saúde vão recebê-lo com toda a segurança. Não sofra sozinho, comece hoje mesmo a tratar a sua dor!

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