26 fev
Viseu

Joaquim Alexandre Rodrigues

OPINIÃO

A eurofobia do presidente do Tribunal Constitucional e o forno frigorífico de Siza Vieira

O país é europeísta, o presidente do Tribunal Constitucional, não. Mercado 2 de Maio de Viseu — um apelo a António Almeida Henriques e a João Azevedo.

20 de fevereiro de 2021, 08:00

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1. Fora da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa pouca gente sabia que, no site daquela instituição, havia uma sumarenta “coluna de opinião dos professores”. Quem a deu a conhecer foi o DN ao divulgar um texto meio esdrúxulo de João Cauters, na altura prof, agora Presidente do Tribunal Constitucional.
João Cauters foi o animador e entusiasta daquela coluna e publicou lá quarenta e sete textos, entre 2010 e 2014, que nos permitem entrever o seu universo mental, o funcionamento da sua máquina de conhecer o mundo e algumas das suas  obsessões:
— há ali uma candura e uma ingenuidade inesperadas;
— há ali apelos acratas à participação dos colegas: “escrevam, minha gente! Mostrem o traseiro (virtual, é claro) ao poder”;
— há ali preocupações corporativas recorrentes com os cortes nos salários e nos subsídios de férias e de Natal, com o estatuto e a imagem dos funcionários públicos;
— há ali embirrações muito humanas, por exemplo, com o dr. Relvas e os macroeconomistas;  
— há ali, durante o passismo, uma escalada ideológica contra a troika e o “neoliberalismo”, que, numa crónica de 23 de Março de 2013, culmina com este bombardeamento: “talvez (…) [se] deva equacionar os custos e as vantagens – também existem algumas – não só da saída do euro, mas também de uma saída da UE.”
O DN fez manchete com uma anedota de João Cauters sobre homossexuais. A  vontade de rir, que já não é muita, desaparece completamente ao saber-se da eurofobia do nosso presidente do TC.

2. Depois de a câmara de Viseu ter enrodilhado o concurso de ideias de 2015, que pretendia dar algum sentido e utilidade ao forno-no-Verão-e-frigorífico-no-Inverno chamado Mercado 2 de Maio, António Almeida Henriques acabou por avançar com o projecto de uma cobertura fotovoltaica para aquele espaço.
Sobre ela escrevi aqui, em 20 de Dezembro de 2019:
Pelo que se percebe, a ideia é prantar, ao de cima do Mercado 2 de Maio, uma enorme estrutura, pesada e desgraciosa, com um custo estimado de 3,1 milhões de euros. Já se viram WC para pombas mais baratos.
Entretanto passou tempo e o orçamento deste WC columbino engordou: agora está em 4,3 milhões de euros. Era bom que a câmara abandonasse este projecto caro e de mau-gosto.
Repito as duas alternativas que permitem desatar este nó, alternativas que deixei aqui a António Almeida Henriques, em 9 de Setembro de 2016, e que agora estendo também a João Azevedo, o outro candidato à câmara já conhecido:
(i) convencer Siza Vieira a mudar o pavimento e utilizar árvores de crescimento rápido que assombrem aquela praça no Verão e a desassombrem no Inverno; [ou]
(ii) lançar um novo concurso de ideias com cabeça, tronco e membros.

Era preferível, como estão as coisas, que Viseu “tentasse com determinação a primeira alternativa junto do bom-senso do mestre.”

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